terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Amamentar todos os recém-nascidos poderia salvar 830 mil vidas por ano

Foto: Bia Fotografia
Novo relatório identifica quatro principais barreiras para amamentação 

Por Minha Vida - publicado em 19/02/2013 

Todas as crianças devem fazer aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, segundo a recomendação da Organização Mundial de Saúde. Na prática, entretanto, muitas crianças sequer chegam a receber leite materno após o nascimento, atitude que poderia salvar 830 mil vidas por ano. A informação faz parte de um relatório divulgado ontem (18) pela organização independente Save The Children. 

No relatório, as quatro principais barreiras da amamentação listadas foram: comunidade e pressões culturais, escassez de profissionais da saúde, falta de legislação nas maternidades e fabricantes de substitutos do leite e suas poderosas máquinas de marketing. Além disso, poucas mães conhecem a importância do primeiro aleitamento do recém-nascido, que fornece matéria-prima para o fortalecimento do sistema imunológico da criança. Quanto mais cedo uma mãe começa a amamentar, maior a probabilidade de cultivar o hábito até os seis meses de vida do bebê. 

Mesmo assim, o aleitamento materno continua abaixo do esperado, englobando apenas 40% das crianças. Segundo a presidente da organização, Carolyn Miles, a amamentação é a forma mais efetiva de reduzir a mortalidade infantil, mas é necessário derrubar alguns mitos sobre ela para o hábito se tornar comum a todas as mães. Um dos mitos, listado no relatório, é a ideia de que o colostro - leite secretado nos primeiros dias após o parto - é sujo e deve ser desprezado. Ele é nutritivo e, sem dúvida, é o melhor alimento para o recém-nascido. 



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Livre demanda: o que é realmente – Dr. Carlos González

Foto: Adriana mãe do Enzo (arquivo).
Do Livro: A Frequência e a Duração das Mamadas, do livro “Un Regalo Para Toda La Vida” do Dr. Carlos González. 

Provavelmente, você já escutou que o peito se dá a demanda. Mas é fácil que lhe tenham explicado mal. 

É muito difícil erradicar da nossa cultura essa obsessão coletiva com os horários das mamadas. Parece que sempre foi assim. Alguns, ao ouvir falar da livre demanda, acham que é um invento dos hippies e com semelhante despropósito vamos criar uma geração de selvagens indisciplinados. Mas é justo o contrário, dar o peito à demanda é que sempre foi assim e os horários são uma invenção moderna. É verdade que algum médico romano já havia falado de horários, mas foi um caso isolado e naquele tempo as mães não perguntavam aos médicos como tinham que dar o peito. Praticamente todos os médicos do séc.XVIII recomendavam a amamentação a demanda (ou não recomendavam nada, porque, como a amamentação não é uma doença, os médicos não se ocupavam muito desse tema). Só a princípios do séc.XX começaram quase todos os médicos a recomendar um horário e mesmo assim poucas mães o seguiam, porque não havia saúde pública e os pobres não iam ao médico se não estivessem muito doentes. Só quando as visitas ao pediatras começaram a converter-se numa cerimônia regular, em meados do século passado, começaram as mães a tentar seguir um horário, com péssimos resultados. 

Muita gente (mães, familiares, médicos ou enfermeiras) lê ou ouve isso de livre demanda e pensa: “Sim, claro, não é necessário ser rígidos com as três horas. Se chora 15 min. antes, pode-se dar o peito e também não é necessário acordá-lo se está dormindo”. Ou então: “Sim, claro, a demanda, como sempre disse, nunca antes de duas horas e meia nem mais tarde que quatro”. Tudo isso não é a demanda; são só horários flexíveis, que claro que não são tão ruins como os horários rígidos, mas continuam causando problemas. Livre demanda significa em qualquer momento, sem olhar o relógio, sem pensar no tempo, tanto se o bebê mamou faz 5 horas quanto se mamou faz 5 minutos. 

Mas, como pode ter fome aos cinco minutos? Imagine que está criando o seu filho com mamadeira. Ele costuma tomar 150ml e, de repente, um dia, o bebê só toma 70 ml. Se aos cinco minutos, parece que tem fome, você dá os 80 ml ou pensa: “Como pode ter fome se faz só cinco minutos que tomou a mamadeira?”. Tenho certeza que todas as mães dariam a mamadeira sem duvidar um único minuto, de fato, muitas passariam mais de uma hora tentando meter a mamadeira na boca do bebê a cada cinco minutos. Pois bem, se um bebê solta o peito e ao cabo de cinco minutos parece ter fome, pode ser que só tenha mamado a metade. Talvez tenha engolido ar e se sentia incômodo e agora que arrotou já pode continuar mamando. Talvez tenha se distraído ao ver uma mosca e agora a mosca já se foi e ele percebeu que ainda tem fome. Talvez tenha se enganado, achou que estava satisfeito e agora mudou de opinião. Em todo caso, só esse bebê, nesse momento, pode decidir se precisa mamar ou não. Um especialista que escreveu um livro na sua casa no ano passado ou faz um século, ou a pediatra que viu o bebê na quinta passada e lhe recomendou um horário não podem saber que seu filho hoje, às 14:45 da tarde ia ter fome. Isso seria atribuir-lhes poderes sobrenaturais. 

E qual o tempo máximo? É preciso acordá-los? Quantas horas podem estar sem mamar? Em princípio, as horas que queira. Um bebê saudável, que engorda normalmente, não precisa ser acordado. É distinto o caso de um bebê que está doente ou não aumenta normalmente de peso. Um bebê pode estar tão fraco que não tem força para pedir o peito. Nesses casos, é preciso oferecer o peito com mais frequência. Isso também pode aplicar-se aos recém-nascidos. 

Quando o bebê dorme muito, muitas vezes não é preciso acordá-lo, mas sim estar atento aos seus sinais de fome. A demanda não significa dar o peito cada vez que chore. O choro é um sinal tardio de fome. Do momento que uma criança maior tenha fome até que chore podem passar várias horas. Do momento que um bebê tem fome até que chore podem passar alguns minutos, ou até mais, dependendo da personalidade do bebê. Mas é raro, que nada mais ter fome, comece a chorar. Antes disso terá mostrado sinais precoces de fome: uma mudança no nível de atividade (acordar, mexer-se), movimentos com a boca, movimentos de procura com a cabeça, barulhinhos, por as mãozinhas na boca, então, é quando se deve pô-lo no peito, não esperar que chorem. Se um bebê que está fraco porque perdeu peso está sozinho no seu quarto, fora da vista dos seus pais, é provável que dê estes sinais e ninguém perceba e ele volte a dormir por cansaço. 

Dar o peito à demanda não significa que mame o que mame o bebê, sempre seja normal. Pois bem, também existem valores normais para a frequência e a duração das mamadas. O problema é que não sabemos quais os valores normais para o ser humanos. Porque o ser humano vive em sociedades, em civilizações, com nossas crenças e normas. As espanholas, há trinta anos, davam o peito dez minutos cada quatro horas. Não faziam o que queriam o normal, mas sim o que havia indicado o médico ou o livro. Se no Alto Orinoco existe uma tribo que dá o peito cinco minutos a cada hora e meia, isso é o natural ou é o que recomenda o xamã da tribo? 

Inclusive dentro da Europa há diferenças. Num estudo multinacional sobre crescimento dos bebês, observaram com surpresa que o número médio de mamadas ao dia aos dois meses de idade ia desde 5,7 em Rostock (Alemanha) até 8,5 no Porto, passando por 6,5 em Madrid ou 7,2 em Barcelona. Mulheres de cultura muito similar, que supostamente estão dando o peito à demanda. Como é possível que os bebês demandem mais peito num país que no outro? 

A resposta é simples, mas inquietante. Acontece que a amamentação a demanda, o conceito em torno do qual gira esse livro não existe. Não existe porque os bebês não sabem falar. Se um bebê falasse, um observador imparcial poderia certificar: “Efetivamente, essa mãe está dando o peito à demanda”, porque às 11:23 a menina disse: “Mamãe, peito” e às 11:41 voltou a pedir, mas não lhe deu o peito até que pediu por terceira vez, às 11:57. Como os bebês não falam, fica a critério da mãe decidir quando está demandando ou não. Dois bebês choram, uma mãe lhe dá o peito no mesmo instante e a outra olha o relógio e diz: “Fome não é, porque não faz nem uma hora e meia que mamou, devem ser os dentes” e lhe dá um mordedor. Dois bebês mexem a cabecinha e a boca procurando peito. Uma mãe dá o peito, a outra nem percebe porque o bebê estava no berço e a mãe não o via. Dois bebês dizem: “angu”. Uma mãe pensa: “Ui, já acordou” e o põe no peito e a outra o olha embevecida e diz: “que lindo, já diz angu!”. 

Por último, recordar que à demanda não só significa quando o bebê quer, mas também quando a mãe quer. É claro que as necessidades de um recém-nascido são totalmente prioritárias. Mas, à medida que o bebê cresce cada vez sua mãe tem mais possibilidades de decidir quando dá o peito ou não. Vale ressaltar que um horário rígido é inadequado em qualquer idade e sempre convém que o bebê decida a maioria das mamadas. Mas não há problemas em adiantar ou atrasar um pouco alguma das mamadas. 

Assim que, ao contrário do que muita gente pensa, a livre demanda não é uma escravidão, mas sim uma liberação para a mãe. A maioria das vezes pode fazer o que quer o seu filho, de modo que o bebê está feliz e não chora e, portanto, a mãe também está feliz e não chora. E de vez em quando pode fazer o que ela quer. A escravidão é o relógio. 

Amamentação a La Carte 

Amamentação em intervalos pré-determinados é um mito. Houve um tempo em que se pensava que bebês deveriam mamar a cada 3 horas, ou a cada 4 horas e por exatamente 10 minutos de cada lado! Você já se perguntou o porquê de 10 minutos e não 9 ou 11? 

Claro, adultos nunca comem por “10 minutos em cada prato a cada 4 horas”. Quanto tempo a gente leva para terminar o prato? Isso depende do quão rápido a gente come. É o mesmo com bebês. Se eles mamam rápido, podem gastar menos que 10 minutos, mas se mamam devagar, podem gastar bem mais. 

Os adultos comem em horários pré-determinados somente porque as obrigações de trabalho forçam-nos a organizar suas refeições desta forma. Normalmente, nos dias de folga, a rotina usual é mudada sem qualquer dano à saúde. Contudo, ainda existem pessoas que acreditam que os bebês precisam ser acostumados a mamadas de horário e fazem referências vagas à disciplina ou boa digestão. 

Para um adulto, a comida pode esperar. Nosso metabolismo permite que esperemos por uma refeição e a comida é exatamente a mesma agora ou daqui à uma hora. Mas seu bebê não pode esperar. Sua fome é urgente e a comida dele muda se a refeição se atrasa. O leite humano não é um alimento morto, mas uma matéria viva em constante processo de mudança. A quantidade de gordura no leite aumenta à medida que a amamentação progride. O leite do início da mamada tem baixo conteúdo gorduroso e o leite do final é altamente rico em gordura; chegando a ser 5 vezes mais gordo. 

A média de gordura em qualquer mamada depende de quatro fatores: 

1. Intervalo da mamada anterior (quanto maior o intervalo, menor a quantidade de gordura); 

2. Concentração de gordura no final da mamada anterior; 

3. Quantidade de leite ingerido na última mamada; 

4. Quantidade de leite ingerido nesta mamada. 

Quando a criança mama os dois seios, ela raramente esvazia o segundo seio. Para simplificar, basta dizer que ela toma 2/3 de leite desnatado e 1/3 de creme de leite. Contudo, a criança que mama somente um seio por mamada toma ½ leite desnatado e ½ creme de leite. Se ela toma um leite menos gordo (menos calórico), ela pode aceitar grandes volumes e consumir mais proteínas. Então o bebê que mama 50 ml de cada seio não mama o mesmo que um que toma 100 ml de um seio só; e a dieta do bebê que toma 80 ml a cada 2 horas é totalmente diferente da dieta do bebê que toma 160 ml a cada 4 horas.

Os fatores que controlam a composição do leite ainda estão sendo estudados e ainda não se sabe muita coisa. Por exemplo, sabe-se que um dos seios geralmente produz mais leite, com maior concentração de proteínas que o outro. Talvez seja só coincidência ou talvez seu filho decida isso, dando preferência a um seio em relação ao outro, escolhendo uma refeição com mais ou com menos calorias. 

E você pensou que seu bebê mamasse sempre o mesmo leite? Você pensava que era entediante passar meses e meses tomando somente leite? Isso não é verdade com o leite materno. Seu bebê tem à disposição dele um grande cardápio para escolher, desde sopa leve a uma sobremesa bem cremosa. Uma vez que o seio não fala (nem pode entender o bebê), o bebê faz seu pedido de 3 formas: 

1. Pelo tanto de leite que ele toma a cada mamada (mamando por um longo ou curto tempo e com mais ou menos intensidade); 

2. Pelo intervalo entre uma mamada e outra; 

3. Mamando um ou os dois seios. 

O que seu bebê faz quando mama para obter exatamente o que ele precisa de um dia para o outro é uma obra de engenharia. O bebê tem total e perfeito controle da sua dieta, desde que ele possa mudar as variáveis de acordo com seu desejo. É isso que a livre demanda significa: deixar o bebê decidir quando ele quer mamar, por quanto tempo ele vai ficar no seio e se ele quer mamar um ou os dois seios. 

Quando o bebê não tem o direito de controlar um dos mecanismos, na maioria das vezes ele tenta mudar uma ou outra variável. Num experimento, alguns bebês foram colocados para mamar somente em um seio por mamada, durante uma semana e nos dois seios na semana seguinte (a ordem foi variável). Em teoria, os bebês teriam ingerido muito mais gordura nos dias em que mamaram somente de um lado do que quando mamaram nos dois seios. Contudo, os bebês espontaneamente modificaram a frequência e a duração das mamadas e foram capazes de ingerir quantidades similares de gordura (mas volumes diferentes de leite). 

Se o bebê não tem a chance de modificar a frequência ou duração das mamadas e ele não tem a oportunidade de decidir se quer mamar de um lado ou dos dois, ele fica perdido. Ele não consegue tomar a quantidade de leite de que precisa, mas acaba tomando o que lhe é oferecido. Se a sua dieta está muito longe das necessidades reais do bebê, ele terá problemas em ganhar apropriadamente ou passará o dia faminto e irritado. É por isso que amamentação em horários pré-estabelecidos raramente funciona e quanto mais rígido for o esquema, mais catastrófico é o resultado. Os bebês precisam mamar irregularmente, somente assim eles têm uma dieta balanceada. 

Desde o primeiro dia, embora pareça que ela está tomando somente leite, a criança está escolhendo sua dieta a partir de uma gama de opções e ela sempre escolhe sabiamente, tanto na qualidade, quanto na quantidade. 

Do livro “My Child Won’t Eat”, do Pediatra Carlos González. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Sobre dietas restritas e as crianças que não comem

Foto: google imagens
Por Fabiolla Duarte (doula, terapeuta corporal e consultora de alimentação natureba para bebês e família).

Crianças, quando filhas de pais que têm uma relação muito seletiva e exigente com a própria vida, com o que lhes dá prazer, com o que lhes nutre no dia a dia e com o que compartilham entre outros que amam, de modo geral, essas crianças, têm a mesma relação com a própria alimentação.

Restritiva, sem prazer e solitária.
Dentro da psicologia humana, alimentação e vida estão diretamente ligadas.
Quer que seu filho coma?
Coma você o seu dia.

Quando uma família opta por uma dieta qualquer, quando muda o que já comia para um novo cardápio, deve fazê-lo de modo que essa mudança signifique mais variedade, mais sabor, mais novidade, mais prazer, mais alegria, mais motivos para estarem juntos e obviamente mais saúde.

Dietas, seja elas quais forem, devem sempre trazer um sentido de liberdade, mudança positiva de paradigma. Aventura e conforto.

Se ao contrário, trazem o peso das proibições, muita restrição, culpa e tensão, por mais que em algum livro de algum renomado nutricionista, ela signifique a saúde eterna, estão trazendo na verdade muita falta de apetite. Infelicidade.

E saúde zero.
Sim, saúde zero.

Saúde tem a ver relação, com gozo celular, com organismo em festa, com serotonina, com papo bom à mesa, com comida gostosinha nos momentos de solidão. Com expansão. Com papilas felizes.

Tabela nutricional é uma coisa linda, mas sozinha, sem felicidade, só serve para enricar os escritores, nada antropólogos, da moda.

Naturebas de plantão: menos seriedade, mais flexibilidade e observação.
Se seu filho não come é porque você também não está comendo mais nada não.
Muito não. Muita proibição.

Comer é com o corpo inteiro.
Com a boca aberta. Boca grande. Boca oval. Boca desejo.
Criança restrita é criança estreita, criança espremida.
Boca pequena, criança retangular.

Encontre a porta do gozo dentro de vossas regras ou mude de direção.
Filho é espelho.
Atenção.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Atendimento na Casita - Santo André - SP

Foto: Arquivo
Dia 21/2, Cacá atenderá na Casita - Espaço de Convivência, em Santo André/SP. 

Os atendimentos terão os formatos individual (1h) e grupo (max. 10 mães-pais/ 4h) com bebês de 0 a 3 anos. Este último, proporciona a troca de experiência e custo menor, ao final, as crianças serão pesadas e medidas individualmente / momento também para dividir algo particular. 


O pediatra Carlos Eduardo Corrêa (Cacá) é formado pela USP, pediatra especializado em neonatologia pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Faz parte de equipes que participam de partos humanizados e trabalha com a construção da consciência da importância de se estabelecer uma relação de prazeres da mãe com seu bebê. Utiliza a antroposofia e alopatia.

Informações e agendamento: 


(11) 3672-6561 / (11) 2548-6383 


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Introdução de alimentos: as cores do mundo

A mãe de um paciente teve a idéia de entrevistar-me na consulta que tiveram sobre as primeiras comidas do bebê. O resultado você confere aqui em um resumo das perguntas e respostas, um guia rápido para introdução alimentar.




O começo


A introdução de alimentos sólidos é recomendada para crianças com mais de seis meses. Até então, o melhor para o bebê é a amamentação exclusiva. Pode acontecer que a criança, antes dessa idade, comece a imitar, a movimentar a boca como se estivesse mastigando, e até pôr coisas na boca. Mas, por outro lado, é uma tendência mundial atrasar a amamentação exclusiva. Na Alemanha, por exemplo, querem prolongar até os oito ou nove meses de idade.

Durante o primeiro ano de vida (e tive pacientes que até um ano não comeram) as necessidades calóricas e protéicas dos micronutrientes, são principalmente do leite materno, e a introdução de alimentos é muito irregular, ao igual que a dentição. Podem aparecer os primeiros dentes com três ou quatro meses, ou pode acontecer depois do 1º ano. A mastigação e os dentes não caminham juntos, a mastigação pode acontecer sem os dentes ou com os dentes.

Gosto da idéia de introdução de alimentos de alguns lugares da África, onde as mulheres começam usando o dedo como colher, porque a criança mantém o contato físico com a mãe enquanto come.




Uma textura apropriada

Temos que pensar que estamos saindo de uma textura líquida, para uma pasta que deva ter uma consistência de purê. Estamos espessando a alimentação. Vejamos: o leite escorre pela boca, o bebê vai fazer um movimento de língua da musculatura do esôfago, para adentro. No começo, podem fazer um movimento com a língua, que coloque o alimento para fora, porque é o mesmo movimento que fazem ao mamar o peito.

Para bebês que tem maior dificuldade, é bom misturar o próprio leite materno para alcançar a consistência apropriada. Com abacate, com abóbora, pode ser usado tanto em frutas, como com raízes, tubérculos, batata doce, inhame e cenoura. Caso perceba que o bebê tem ânsia de vômito, é porque a consistência não está suficientemente pastosa para ele.

Evite usar processador ou liquidificador. Não é proibido usar, mas evite. Porque a idéia não é entrar com sopinhas e caldos tão ralos quanto leite, estamos pensando numa coisa mais espessa. O ideal seria amassar ou raspar, as vezes quando tem pedacinhos há criança que nauseia e vomita, por isso usamos a peneira que acaba sendo melhor do que o liquidificador. Porém se pensar numa textura de purê, se pensa mais numa pasta. Menos mingau e mais pasta.

Então a sugestão é: enquanto o bebê está tentando engolir, se faz uma pasta, e começa por uma fruta e/ou um tubérculo. Quando ele começar a reter essa pasta na boca e mastigar, com ou sem dente, começa a dar outra refeição e folha (verdura). E quando mastigar, quer dizer que está se preparando para uma consistência mais de pedaços, aí começa a deixar mais pedaços.

O primeiro indicador de que a criança está pronta para engolir é começar a sentar. É muito importante ela conseguir ficar nessa postura para conseguir engolir sem voltar. E também tira o excesso de força para cima do esôfago, porque o corpo se sustenta. Quanto melhor ele estiver sentando melhor será para ele comer.

Geralmente esse processo é entre o sexto e nono mês que acontece. A partir do nono mês, você está mais liberado para introduzir vários alimentos, os grãos, como o feijão, ervilha, lentilha, e para quem for dar, carne também.



Novos sabores

O ideal é que o bebê experimente o sabor de cada coisa, o cozimento pode ser todo junto na mesma panela, e é uma opção entrar com uma fonte de proteína que pode ser carne, frango, peixe ou ovo. Segundo a orientação do Ministério da Saúde, pode começar com uma fonte de proteína, uma fonte calórica e uma fonte de fibra.

Primeiro vai ensinar o bebê a engolir, com fruta e tubérculo. Uma vez que esteja engolindo, se começa a dar duas vezes comida para ele. Uma fruta, que pode ser de manhã ou no horário do almoço e uma refeição que pode ser no horário do almoço, ou no jantar. Depois pode introduzir proteína, carboidrato e fibra. Para bebês que mamam no peito, e as mães não comem carne, pode ser adiada essa introdução. E muita gente faz essa opção.

Se a opção for adiar a introdução de carne, tente variar o cardápio de vegetais. Pense no vegetal com varias partes, tem raíz, caule, folhas, flor, fruto, semente.Tente pensar em chegar nesse vegetal inteiro. No começo será impossível, melhor ir devagarzinho. Começar pelos tubérculos, evitar usar sal ou qualquer tempero no começo. Cozinhe, amasse e dê cada tubérculo separadamente. E pode entrar com folhas (verduras) refogadas também. Misturar tudo é algo que as vezes a gente faz. A questão é não criar um hábito só. Não fazer sempre sopa, ou fazer só cozido, ou fazer apenas misturado. Variar é legal.

Os temperos que gosto de indicar são: hortelã, sálvia, salsinha, cebolinha, cebola e alho estes últimos fazer separado pois tem alto grau de micronutrientes.

O leite materno assume o sabor e o cheiro da comida que a mãe está comendo, como forma de preparar o bebê para aquele alimento. Mulheres que comem muito cebola e alho, podem produzir leite com sabor de cebola e alho, que pode fazer com que o bebê prefira esse mesmo elemento. Se for uma alimentação sem carne, os temperos, as ervas, tem micronutrientes, o que sugiro é não encher tudo com sal, e o sal virar o tempero universal. A experiência do açúcar a criança terá pela introdução de frutas.

Os chás interferem muito na captação de micronutrientes, perto do horário de refeição não é bom. Dê preferência a os mais leves, sem cafeína e longe dos horários de refeição. Mas, é melhor usar apenas os terapêuticos se for o caso que o pediatra tenha indicado.


Os cereais

Não é obrigatório oferecer sobremesa mas, é uma oportunidade de oferecer fibra, fruta por exemplo, porque pode acontecer da criança ficar um pouco ressecada neste processo. Tem que oferecer muito liquido, e ter cuidado com alimentos que absorvam muito líquido, como os cereais por exemplo, porque se eles forem pouco hidratados, podem roubar água do próprio tubo digestivo e ocasionar uma constipação.

As linhas de tratamento diferem entre a Ayurvédica, Antroposófica, Homeopatia, e acredito que temos uma mistura étnica muito complexa, mas o cereal era antigamente, introduzido muito cedo. Não tem contra-indicação de se introduzir o cereal cedo, mas precisa hidratar muito bem ele. Por exemplo, se for aveia, usar leite materno para ela ficar bem inchada e não tomar líquidos do organismo.


Proteínas

Particularmente prefiro introduzir proteína animal mais tarde, depois de um ano, como o caso do iogurte. Se for usar leite, de preferência que seja leite materno. E para as mulheres que trabalham é legal, porque pode render muito mais. 50ml de leite materno, misturado com banana e aveia, rende muito mais que 50ml para o bebê tomar, por exemplo.



Água e sucos

Desde que o bebê esteja comendo, pode e deve ser oferecida água. Geralmente prefiro que se for fruta, seja oferecida inteira, e não em forma de suco. As frutas que forem difíceis de serem oferecidas na sua forma inteira ou amassada, como o tamarindo, graviola, podem ser oferecidas em forma de suco, sem adição de açúcares. Podem ser todas as frutas da estação.

A hidratação pelo aleitamento materno continua acontecendo, mas é bom oferecer água em diversas partes do dia.


Cardápio familiar

O que vai acontecer até o nono mês é que a criança cada vez mais, irá pedir a comida que os pais estão comendo, então as crianças com nove meses ou um ano, começam a comer a comida da família, a mãe amassa, dá de outra forma, mas a criança tenta entrar na refeição que a família está comendo.



Dentição

Quando é necessário consultar um dentista? A partir do segundo ano. Acho que de fato, limpeza de dentes, antes do segundo ano a mãe consegue fazer usando uma gaze, limpando o dente e vai tentar utilizar a escova depois do segundo ano. O uso de gaze é mais eficiente. Os dentistas dizem que é bom fazer escovação antes de sair dentes, acho que é uma loucura fazer antes da dentição. Se for para fazer alguma coisa, melhor brincar com o bebê usando o próprio dedo com uma gaze.



É bom lembrar

Não esquecer, nesta fase de introdução de alimentos, que estamos saindo de uma consistência líquida, e vamos espessando a comida, é interessante saber lidar, para que a criança entenda o que é o alimento, ela tem que brincar. A criança vai pegar a comida, vai brincar com a comida,muitas crianças botam na boca, cospem na mão, olham e botam na boca de novo, e tudo isso faz parte do processo, que não é um processo requintando, limpo como é apresentado as vezes.

Para as mulheres que trabalham, sugiro que dêem a refeição principal no horário que ela estiver em casa, porque se trata de um momento de troca, de carinhos, porque para a criança comer é uma brincadeira. Está vendo as cores nos alimentos, como vê as cores no mundo. Então é como se ela estivesse pondo parte do mundo para dentro. Se ela puder fazer isso de uma forma mais amorosa, é uma possibilidade dela desenvolver uma relação mais amorosa com o mundo e com ela mesmo.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O PAI quer PARTICIPAR: você deixa!?


Por: Dr. Marcus Renato de Carvalho + Revista Pais & Filhos, Fevereiro de 2013. Marcus Renato de Carvalho, Pediatra, Pai da Clara e Sophie. Perguntas de Cleiton Campos, pai de João. 

1 – O que o pai pode fazer já durante a gravidez para dar início ao processo de formação dos laços com seu filho? 

Acompanhar a gestação, participar das consultas de pré-natal, das decisões, e uma dica fundamental: ver e ouvir o seu bebê intra útero em uma consulta de ultrassonografia. 

2 - O pós-parto costuma ser um período também difícil para o pai encontrar o seu lugar. Nesse período o papel do homem se resume a dar suporte a esta entidade “mãe-bebê”? 

Realmente é um período que o pai fica mais no banco de reserva do que dentro de campo J. O homem pode até sofre “depressão pós-parto”, porque se sente excluído e perdeu o seio materno, a mulher... 

Contudo, ele pode se sentir útil, apoiando a mulher, cuidando do bebê, incentivando a amamentação, realizando tarefas domésticas... 

A depressão pós-parto masculina é pouco conhecida até entre os profissionais da área, mas isso não significa que seja rara. Do início da primeira gestação da mulher até o bebê completar um ano, um a cada dez homens tem a doença. 

O dado é de uma revisão de 43 estudos, com 28 mil participantes, que acaba de ser publicada no "Jama", periódico da Associação Médica Americana. Outros estudos apontam que, entre as mulheres, a taxa de depressão é de 15% a 20%. 

A metanálise revela também que o período entre o terceiro e o sexto mês de vida do bebê é o mais crítico para os homens. Nessa fase, 25% deles sofrem de depressão. 

Por outro lado, os três primeiros meses após o nascimento são os menos problemáticos, quando apenas 7,7% dos pais desenvolvem depressão. 

"Nesses meses, a vida é muito corrida. O homem só começa a se dar conta do que está acontecendo depois do terceiro, quarto mês", acredita a psicóloga Fátima Bortoletti, que atende casais durante o pré-natal e o pós-parto no setor de obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). 

Na opinião dela, a taxa pode ser ainda mais alta - nos EUA, por exemplo, chega a 14%. 

Vários fatores que coincidem nesse período podem funcionar como gatilho da depressão masculina, segundo o psiquiatra Joel Rennó Júnior, coordenador do Pró-Mulher do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. 

"Muitos homens sentem-se inseguros em relação aos cuidados com o bebê e à disponibilidade de tempo necessária para ter uma participação ativa na criação do filho. Alguns não conseguem entender as mudanças da mulher em relação à sexualidade e à forma como vê seu corpo na gravidez", afirma. 

A situação econômica, frente às novas necessidades familiares, também os preocupa. Por fim, sentimentos de rejeição e exclusão são comuns entre os pais novatos. 

Como resultado, uma parcela dos homens compete com o bebê pela atenção da mulher, outra ignora o filho e há os que tentam afastar a mãe dos cuidados com a criança ou que buscam relações extraconjugais. 

Correlação 

A pesquisa reforça ainda a existência de correlação entre depressão masculina e feminina. "A mulher precisa da proteção do pai do bebê. Se ele passa a maior parte do tempo fora, a desproteção vem acompanhada do sentimento de abandono, que desencadeia a depressão feminina", diz Bortoletti. 

Como o trio familiar funciona de modo integrado, o desequilíbrio afeta todos. 

"A depressão masculina prejudica automaticamente a mãe, e o bebê é uma esponja emocional. Se seu parceiro está deprimido, ela fica insegura, irritada e passa isso para a criança, que pode ter problemas de aleitamento e dar mais trabalho", completa. 

3 - Qual importância do homem durante o aleitamento? 

Vários estudos comprovam que o pai quando orientado sobre a importância da amamentação, apoia mais a mulher e ela amamenta melhor e de forma mais prolongada. 

4 – Tenho a impressão de que o assunto “formação de vínculo paterno” é uma preocupação muitas vezes da própria mãe e que o pai lida com essa questão de maneira mais instintiva. Procede? Ou o pai também está cada vez mais preocupado com o assunto? 

Creio que algumas mães se preocupam se seus companheiros irão “adotar” seus próprios filhos... É importante lembrar que este vínculo pai-filho começa na gestação, se fortalece com a participação do pai no parto e se concretiza na maternidade, com os primeiros cuidados, com o colo paterno “sem leite” J também necessário para o recém-nascido. 

Cada vez mais vejo pais interessados, participativos de grupos de preparação para o parto e primeiros cuidados, muito necessários hoje em dia. 

Pesquisas científicas comprovam que recém pais estão banhados com mais prolactina (mais amor, menos libido) e menos testosterona (menos apetite sexual e menos atitudes agressivas). 

Ser pai torna os homens mais femininos 

Estudo revela que a paternidade reduz significativamente os níveis de testosterona 

Ser pai desperta o lado mais feminino dos homens. Um estudo da «National Academy of Cience» revela que a paternidade reduz significativamente os níveis de testosterona, o principal hormônio masculino.
Dizem os investigadores que com o nascimento de um filho os homens tornam-se menos agressivos e mais sensíveis. Tudo isto seria mais verdade se o livro dos homens fosse escrito apenas com o código genético. Falta a cultura, a educação e a sociedade. 

5 – De que modo as mães costumam atrapalhar a formação do vínculo paterno (digo, sem ter a intenção)? 

As mulheres no período puerperal se comportam como verdadeiras “leoas” na proteção de sua cria, impedindo a atuação dos homens... Muitas vezes esta atuação é inconsciente: “ele não sabe pegar o bebê no colo”; “ele não troca a fralda direito”; “ele é desajeitado”... Nunca os homens irão atuar da mesma forma que as mulheres, é mesmo outro jeito, mas não deve ser desqualificado... Há também um preconceito de gênero, um machismo ainda na sociedade... 

6 – E o que elas podem fazer para ajudar na formação desse vínculo? 

Convocando o homem para dar colo, levar ao pediatra, às vacinas... E mesmo que a fralda fique “torta”, elogiá-lo, encorajá-lo... 

7 – O que é essa figura do “novo pai” que tenho lido a respeito? Dá pra dizer que o homem de hoje não se contenta mais apenas com o papel de mero provedor material? 

Os homens estão se descobrindo como novos pais, presentes, cuidadores, exercendo a “paternagem” – um modo próprio, físico-corporal de lidar com o bebê... 

Desde 2003 realizo uma “Campanha de Valorização do Cuidado Paterno” para mostrar para a sociedade o valor da presença e participação do homem na criação dos filhos. O contato do pai com o filho é benéfico para a criança, para a mulher e para o próprio homem – ser pai faz bem à saúde. 

8 - Qual seria o tempo ideal da licença paternidade? Quais os efeitos na relação pai-bebê causados por um tempo tão curto de licença? 

Poderíamos avançar para 15 dias imediatamente e em curto prazo passar para 30 dias. Há vários projetos de lei no Congresso Nacional. 

Cinco dias é um tempo muito curto para cumprir tarefas burocráticas e tomar providências domiciliares, trabalhistas... que roubam o tempo do contato com o recém-nascido. 

Seguridade aprova ampliação de licença-paternidade para 30 dias

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou, nesta quarta-feira (10 de dezembro de 2009), o PL 4.028/08, da deputada Rita Camata (PMDB/ES), que amplia para 30 dias o período de licença-paternidade para trabalhadores de empresas participantes do Programa Empresa Cidadã (Lei 11.770/08). 

A licença-paternidade representou enorme avanço na Constituição, que nos termos do artigo 7º, inciso XIX, c/c artigo 10, parágrafo 1º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias determinou que o prazo da licença fosse de cinco dias. Pela proposta, os pais terão direito ao benefício quando suas mulheres trabalharem em empresas que não façam parte do programa. 

O texto determina que a licença prolongada do homem comece imediatamente após o término da licença-maternidade e deverá ser requerida no primeiro mês após o parto. 

Para o relator, deputado Eduardo Barbosa (PSDB/MG), "nada é mais razoável que garantir a devida compensação aos pais pertencentes a empresas participantes do Empresa Cidadã para que contribuam mais diretamente na criação dos filhos". 

Supersimples

O texto aprovado também estende a possibilidade de adesão ao programa a empresas tributadas com base no lucro presumido e àquelas optantes pelo Simples Nacional (Lei Complementar 123/06). 

Nesse caso, permite-se a dedução do salário do empregado durante o período excedente de licença-maternidade ou paternidade apenas do Imposto de Renda e da Cofins. 

Eduardo Barbosa lembra que o texto original da Lei 11.770/08 previa a inclusão dessas empresas, mas essa parte foi vetada pelo Executivo. 

O deputado ressalta que as micro e pequenas empresas correspondem a cerca de 90% do total de empresas do País. Com sua inclusão no Empresa Cidadã, portanto, "número significativamente maior de trabalhadores será beneficiado", destaca. 

Tramitação: A proposta segue para análise conclusiva das comissões de Trabalho; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. 

Publicado no www.aleitamento.com em: 1/3/2011 

9 – O papel do pai tem a ver com “empurrar o filho pro mundo”. É possível afirmar que, para reforçar os laços com o filho, é necessário romper um pouco dos laços da própria mãe, cuja tendência é sempre manter a cria “o mais próximo possível do útero”? 

Há uma citação Maia (pré Colombianos) que retrata estes dois movimentos – o materno que é de deixa-lo no colo e o paterno que é de “mostrar o mundo”, afastá-lo do colo materno... 

“No bebê está o futuro do mundo. A mãe precisa abraçá-lo forte para que ele saiba que o mundo é dele. O pai precisa levá-lo até o monte mais alto, para que ele veja como é o seu mundo."