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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Atitudes pacificadoras para o choro do bebê

No último texto fizemos uma jornada de reflexão acerca do choro do bebê na nossa cultura: entre cólicas e sinais de desconfortos aparentes, passando pelas razões do choro e as oportunidades de criação de vínculo entre pais e filhos, dentro inclusive, das ocasiões de descontentamento. Se manter no papel de adulto talvez seja um dos primeiros e maiores desafios dessa jornada de nascer como mãe e pai.

Hoje pensei em trazer um pouco da minha experiência prática com esse difícil assunto, elencando atitudes pacificadoras:

Consciência de aprendiz
Em primeiro lugar, quero destacar que tenho muito  quer aprender. Nós, os adultos, temos muito o que aprender quando se trata das sutilezas da vida humana em um momento tão singular que é a chegada de uma nova vida ao mundo e a construção de uma nova família. Estamos aprendendo a ser pais , tios ,avós e toda uma constelação de relações humanas a partir do bebe.

No entanto, uma das minhas bases de atuação versa sobre a potência desse estado de aprendizado. Quando nos sabemos aprendizes das situações que vivemos, legitimamos a construção de novos caminhos. E TODOS os caminhos de construção de vínculos entre os bebês e seus pais são verdadeiros. O choro do bebê é uma oportunidade potente nessa visão. Já que na nossa sociedade o choro se configura como forma de comunicação entre o bebe e seus pais.

Carregadores de Pano
Aprendi também que o uso de carregadores de pano são positivos aliados nessas situações. Não só porque resgatam a prática ancestral do contato físico, indispensável para esse bebê e para esse adulto encaminhando para a construção de vínculos. Mas também por terem comprovadamente benefícios pacificadores para as duplas.



Toques e Massagens
Todos caminhos que levam a construção de vínculos que se constroem pela observação e contato físico com o bebe são os mais poderosos em lidar com o choro do começo. Na ótica da proximidade física entre adultos cuidadores e seus bebês, as massagens e toques não podem ficar de fora. A experiência de mães e pais, profissionais de saúde e médicos pediatras comprova. Apesar de tecnicamente muito se falar na massagem como uma forma de "aliviar dores" e "melhorar o intestino" do bebê, cabe lembrar que o contato afetuoso carrega também vantagens de ordem psico-emocional, que norteiam o estar do bebê e do adulto à partir da esfera sensório-motora: uma questão muitas vezes esquecida nas sociedades contemporâneas que gostam de explicações científicas e cognitivas para tudo. Estamos falando de prazer aqui!


Banhos Prazerosos
Por mais incrível que pareça, o bebê não necessita de banhos com finalidades meramente higiênicas. O momento do banho é um momento de cuidado, que o bebê entende como amor. O bebê entende tudo como o amor que ele quer receber. Portanto, o momento do banho pode ser gostoso o prazeroso. Contradizendo a prática atual das banheiras, que coloca o bebê  pequeno muitas vezes de corpinho exposto em um espaço-gravidade estranho de entender, a minha experiência mostra que o banho de chuveiro no colo de pai e mãe ou o banho de balde, muitas vezes aliado à contenção do cueiro, tem resultados efetivos nessa sensação de prazer. Bebês pequeninos normalmente preferem esses banhos. Os bebês mais velhos que gostam de brincar na banheira, experimentar a água e sentem-se felizes em bacias.


Charutinho e contenção
No último texto, refletimos como muitas vezes diante do choro do bebê os adultos se paralisam e tendem a não tomar nenhuma atitude, entrando em uma espiral de desespero que notoriamente não tem benefício nenhum. Eu gosto de lembrar: o bebê é uma pessoa! Ele está ali, presente no momento do choro em seu corpo, mente e sentimentos. O casulo, charutinho e outras espécies de contenção também são atitudes que pacificam esse estado, por promoverem um contorno, por convidarem tanto o adulto como o bebê a sentirem-se presentes, existentes. Além de é claro, comprovadamente aportarem ao bebê a memória intrauterina: um espaço contido, e não e imensidão daqui de fora. Que convenhamos, é apavorante até para os grandes.



Movimento e Chiado

Aliados aos carregadores de pano ou ao colo mater-paterno, estar em movimento com o bebê que chora é também uma atitude pacificadora. É comum, naquele momento de cansaço e paralisia do adulto, que ele se esqueça do ato ancestral de NINAR seu bebê. Vemos cuidadores desesperados que muitas vezes recorrem à uma chupeta por exemplo, antes mesmo de propor uma pequena dança pela sala, ou uma cantiga de ninar. Acho que aqui estamos falando do quanto podemos nos arriscar e nos entregar nas atitudes que promovam vínculo, ao invés de escolher atitudes que possam nos separar. Em combinação com o chiado, suaves canções ou ruídos que promovam uma concentração da dupla para algo além dos seus próprios desesperos, são sempre uma boa ideia.Devo lembrar também que o uso de redes para dormir ou algum tipo de berço que balance como a rede é visto desde as índias brasileiras,passando pelas andinas ate o extremo oriente. Balançar faz parte da cultura mundial de cuidar de bebes.


Amamentação, Sucção e Livre Demanda
Um pediatra americano, como é costume dos americanos, nomeou uma técnica de acalmar o choro do bebê baseada em 5 etapas que em inglês começam com a letra S: Swaddle, Stomach Position, Shush, Swing, Suck. Na ordem, a contenção, a posição lateral ou verticalizada (em oposição a deixar o bebê deitado de costas), chiado, balanço e sucção. Aqui quero pontuar que o instinto de sugar é inerente ao bebê - e é o que garante a sua sobrevivência. A amamentação em livre demanda, ou seja, quando o bebê pede (e ele pede de várias maneiras, não apenas chorando), é uma forte aliada na construção do vínculo, não apenas da saúde e estabelecimento pleno da amamentação. Exatamente porque para além do alimento, o bebê gosta e precisa sugar. Alguns bebês precisam sugar mais, outros bebês encontram seus dedinhos e sugam, e há aqueles que só se confortam no seio materno. Há sempre a opção da chupeta, que é também um recurso legítimo nesse processo. Mas sempre com a consciência de que se trata de um mediador dessa relação física entre mãe e filho, que pode ser muito útil no momento de choro, mas pode também a longo prazo, trazer outras questões para serem observadas depois, quando invariavelmente esse bebê precisar se livrar do hábito de sugar a chupeta. Precisamos também pontuar que a sucção não nutritiva para bebês pequenos pode representar algum prejuízo para o estabelecimento da saúde desse bebê e também para a amamentação. Gosto de pensar que a chupeta é um recurso para os pais. E não para o bebê. Colocando também que é da mulher, a dona desse corpo que não pode ser esquecido da equação, encontrar o limite de ser sugada e quando. Claro, não é tarefa fácil.


Contato visual e conversa
Um bebê chorando normalmente cerra os olhos com força. Fabrica seu próprio som de descontentamento que o deixa longe do contato com o mundo. Ele fica lá, no mundo interno do choro. Se a busca para esse encontro de vínculo passa pelo corpo, não vamos esquecer dos olhos e da visão desse bebê. Minha experiência mostra que quando o bebê sai do estado do choro, seus olhos abrem e ele espera encontrar amor e contato. Isso se dá pelos olhos também, é hora de iniciar uma conversa. Bebês adoram balbucios e adultos que falem sua língua! Vocês vão se surpreender, se tentarem conversar com seus bebês, como eles são capazes de se comunicar de várias formas, que não o choro. Eles franzem as sobrancelhas, arregalam os olhos. Mesmo os pequeninos - a quem não é creditada a felicidade através dos sorrisos, que injustamente são chamados de reflexos - são eficientes em comunicar felicidade. Sorriem sim! Mostram a língua, estalam, falam, imitam as caretas dos adultos e gostam de tudo isso. Pronto, não estão mais chorando.




Arriscar-se nesse caminho de muito contato e, portanto, muito vínculo, na minha opinião é o que mais ajuda. Aprender desde o começo que quando chora, o bebe está te chamando e o que ele quer é você! Talvez o mais difícil aprendizado!

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Medo de cuidar

Um bebê pequeno desperta na gente uma série de emoções. É muito surpreendente acompanhar o nascimento da vida, a gênese da existência. Surge uma força de cuidado e proteção, que talvez pudesse ser explicada pela nossa programação para sobrevivência da espécie. Nasce um ser delicado e dependente que mexe muito com os adultos ao seu redor.






Mas também não precisa ir muito longe:  um filhote de cachorro pode ser alvo de olhares de afeto e atenção. E há quem conte ter preservado a lagartixa de uma vassourada apenas porque ela era um bebê.

Fato, a gente sente coisas inexplicáveis quando se trata de um filhote.

Os filhotes humanos nascem frágeis, é bem verdade. Como os marsupiais que dependem dos genitores após a saída do útero.

Há um desejo de proteger, fazer vingar, preservar. Mas que dentro do universo dos cuidados com bebês na contemporaneidade caminha na fina linha entre o cuidado e o controle.



Os desejos de cuidar bem de um bebê podem se desenrolar para sonhos de perfeição: qual é o jeito certo de fazer dormir? A maneira perfeita de fazer a introdução alimentar? A melhor fralda do mundo? A posição correta no sling? 

É claro que todos queremos o melhor para nós, para os pequenos e para o mundo. Isso não está em discussão.

Mas é preciso buscar o lugar interno onde caminhamos em paz no trato com as crianças. O cuidado desperta amor e afeto, do cuidar nascem os vínculos.  Enquanto o controle é terreno fértil para a paranóia e o medo. 

E medo nos afasta. Nos paralisa.


Há muitas formas de fazer o bem, fazer o melhor, tomar boas escolhas e cuidar gentilmente e com afeto de nossos bebês sem que as escolhas sejam baseadas exclusivamente no medo de perdê-los ou prejudicá-los.

E é extremamente necessário ter consciência de que existem muitos discursos sobre o cuidado de bebês que - em nome de "melhores escolhas" - são construídos a partir do medo.

E, não surpreendentemente, muitas vezes arraigados em interpretações de pesquisas com ares de ciência. Porque há muitas abordagens médico-científicas que atuam exatamente assim, estimulando medo. Difundindo que ha um risco de perda e morte continuamente e que esse ou aquele jeito de cuidar os afastam.



Tomem por exemplo a cama compartilhada. Haverá sempre quem opte por não dormir com seu bebê por uma única razão: medo.

Oras, a cama compartilhada facilita a amamentação, promove vínculo e é narrada como uma experiência prazerosa para tantas pessoas! Eu sinto desejo de passar por essa experiência, parece certo para mim e mesmo assim eu escolho não fazê-la? Não porque não me parece adequada. Mas porque em mim está instalado o medo. Que pena.



Outro exemplo é o carregamento de bebês no Sling. Atualmente um espaço vivendo uma tentativa de controle. Em nome de boas práticas supostamente apoiadas na ciência - está acontecendo a criação de um manual de regras construído no medo.

Medo de sufocar o bebê, medo de estragar suas pernas, medo de alguém dizer para mim que eu estou fazendo errado. Acreditem se quiserem, tenho reparado no consultório que coisas básicas do cuidado com bebês - como um banho de balde, um momento de sono compartilhado ou um carregamento no colo estão tão permeados de regras e ameaças que muita gente prefere nem tentar. 

Que oportunidades estamos perdendo?
Quando é exigido treinamento, técnica e seguir regras para validar as vivências? Estamos fazendo curso para viver. Ou o que é o pior. Nao podemos experimentar para poder decidir.

As relações são construídas também no não saber as coisas. Os bebês e seus pais crescem juntos, e a vida é aquilo que acontece entre uma teoria e outra. 

No fazer de um jeito em um dia e diferente no outro. No tentar e tentar outra vez. Mudar de lado, mudar de cama, mudar de posição. 



Permitamos-nos aprender pelas vivências. Confiemos nos vínculos e na vida. E estejamos atentos para escolher o que é melhor para nossos filhos através também das nossas vivências.

É preciso sabedoria para distinguir o que é o cuidado através do afeto. E o que é uma tentativa frustada de controle, através do medo. 

Não tenhamos medo de cuidar. 





Todas as imagens dessa postagem são do livro Baby-Gami, uma publicação poética que trata dos casulos, amarrações, carregamentos e enrolamentos de bebês com panos e sacola de papel ;)

terça-feira, 12 de abril de 2016

Carregadores de pano: qual a melhor opção? Pergunte para o bebê

Nasceu um bebê de colo e agora ?


A história toda de carregar bebês no colo pertence à ancestralidade humana de diversos pontos do globo (apesar da palavra colo não existir em todas as línguas).

A contemporaneidade tem nos presenteado com "novidades" mais velhas do que andar para frente, empacotadas em ares de lançamento. 

Chega a ser surpreendente a necessidade humana de transformar vivências em substantivos. Dar nomes, criar regras, conjuntos de normas, etiquetas. Elencar diretrizes, Construir certos e errados . Re-construir a cultura: Babywearing, uma palavra contemporânea, em língua que não é nossa para dar conta de uma prática assustadoramente óbvia. 



Adultos carregam bebês no colo. Irmãos mais velhos carregam seus caçulas no colo. Maiores apoiam menores. Isso não é lá uma grande novidade.

Com efeito, não precisa ser muito científico para concluir que carregar consigo a cria deve ter tido um papel importante na evolução e sobrevivência da espécie humana. Um lugar de proteção e aconchego que nos permitiu evoluir como sociedade. Como humanidade.

Em meio a uma avalanche de sugestões, estudos, tipos de tecido, posições recomendadas, posições proibidas e um tanto de autoritarismo por parte dos adultos, gostaríamos hoje de falar sobre a segunda parte mais interessada, e igualmente impactada, na vivência do colo materno.

O bebê.

O bebê, como sabemos, é uma pessoa.
Assim como todas as pessoas, que podem se unir em semelhanças para algumas questões, os bebês podem diferir radicalmente entre si para muitas outras.
Possui singularidade. Possui seus próprios desejos e aversões.

Há bebês que ficam tranquilamente no colo de suas mães, por longas horas seguidas. Há aqueles que demonstram insatisfação em uma posição ou outra. Há bebês que sinalizam rapidamente através de um choro inconfundível. Outros resmungam. Alguns acatam.



Há bebês mais comunicativos. Há bebês que contemplam. Há bebês bastante motores e exploradores. Há bebês com muita saudade do útero. Há bebês com muita fome do novo. Há bebês virados para frente, há bebês aninhados nas costas, há bebês sentados nas tipóias, há bebês pendurados nos seios de suas mães. Apesar de sua essência e natureza humanas, o bebê é provido de peculiaridades.

Em nenhum momento da humanidade as mulheres deixaram de exercer suas atividades por terem tido um bebê. E isso se deve à uma união de fatores. Um entorno solidário e menos crítico, por exemplo, certamente favoreceu essa condição.

É fato que a ciência dos tecidos, nós e posições contribuiu para o sucesso do carregamento de uma legião de bebês, geração após geração. Mas nada disso teria sido possível se essas pessoas, além da solidariedade e atenção da sociedade que as cercavam, não fossem antes de tudo: exímias observadoras dos seus filhos.



Então sobre qualquer receita de carregamento de bebês, por cima de qualquer debate sobre o melhor tecido, no topo de qualquer regra rígida acerca das posições, para além de qualquer condenação de um ou outro aparato e acima das inspirações europeias, indígenas, andinas, africanas e orientais é imprescindível a questão: como está se sentindo o meu bebê nesse momento?

Reiteramos: não há técnica ou estudo, por mais científico que seja, que tenha algum valor se não vier perfeitamente amarrado com humanidade... com o perdão do trocadilho. 

Quer saber qual o melhor carregador de pano? Quer usar a posição mais recomendada? Quer aprender a carregar seu bebê no colo com maestria? Construa seu próprio caminho. E comece perguntando para o seu bebê. Se existem muitos modelos e formas de carregar deveríamos perceber que os cansativos conjuntos de regras e proibições deixam de lado o olhar sobre o bebê e a possibilidade de encontrarmos um encaixe satisfatório para ambos.

Experimente dar voz ao passageiro deste lugar. 
Do carregador. 
Do colo.

O bebê.





quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Colo mágico





Carregar o filho junto ao corpo voltou à moda. Descubra a importância do colo e a origem do sling


Por Deborah Trevizan*, mãe da Isadora e do Pietro

Nascer deve ser um tremendo susto. Dentro do útero, aconchegado e embalado 24 horas por dia, o bebê não precisa fazer nada para conseguir o que quer: comer, dormir... Está tudo lá. Do lado de fora, começa uma verdadeira batalha. Daí, só chorando mesmo.

Qual a mãe que nunca ouviu, em forma de conselho, que seu filho está ficando muito no colo, que vai ficar mal acostumado e manhoso? Às vezes, até os próprios médicos aconselham a não atender nossas crias assim tão prontamente, tirando do berço ao primeiro sinal de desconforto, com o perigo de torná-los dependentes demais.



No livro o Bebê mais Feliz do Pedaço, o pediatra norte americano Dr. Harvey Karp conta a história de uma tribo no deserto de Kalahari, na África. Na tribo Kung, as mães carregam seus filhos por quase 24 horas, diariamente. Isto mesmo: andam, trabalham, comem, dormem sempre com os filhos grudadinhos, amarrados ao corpo por meio de uma tira de couro. Cientistas passaram algum tempo observando os hábitos da tribo e em relação aos bebês fizeram uma interessante observação: eles nunca choram ou, pelo menos, não choram desesperadamente como muitos bebês. Será que é uma coincidência ou eles são mais calmos por continuarem a ter seus desejos e necessidades satisfeitos imediatamente após o nascimento?



Mães asiáticas, africanas e da América do Sul sempre privilegiaram o contato com o bebê e carregam suas crias para cima e para baixo em cangurus e carregadores (vale até lenços amarrados). Estas mães serviram de modelo para que diversos tipos de carregadores de bebês surgissem. A idéia se espalhou pela Europa, EUA e chegou ao Brasil: cada vez mais mulheres usam slings, wraps, fast wraps, mei tais e cangurus. Há até um termo usado nos EUA para estes carregadores: babywearing, criado pela família do Dr. Sears, renomado médico que comprou a idéia do carregador de bebês moderno, com a incorporação de um par de argolas no lugar do tradicional nó. 

Segundo o conceito do Dr. Sears, o sling é o instrumento, mas o objetivo principal é o colo.

Este costume chegou ao Brasil por meio de mulheres que tiveram contato com carregadores estrangeiros e o sling tem sido o preferido entre as brasileiras. Nosso toque foi dado com estampas, cores e tecidos leves. A pioneira na fabricação brasileira foi Analy Uriarte, mãe de Teodoro, Bruna e Frederico, desde 2003. Em 2007, Analy abriu a Sampasling com mais duas sócias. Ela conta que começou a fabricá-los para promover o babywearing, quando seu primeiro filho nasceu, há oito anos.

Naquela época, as pessoas estranhavam ao ver o menino pendurado junto ao corpo da mãe. Três anos depois, quando a segunda filha nasceu, as coisas foram diferentes. “Existe uma desconfiança inicial, mas depois passa. O bebê quer colo mesmo e a mãe precisa usar os braços. Acho que o sling ficou adormecido, mas não esquecido”, afirma Analy, lembrando que hoje já virou moda entre famosas. Atualmente, Analy está radicada no Paraguai e promove um trabalho social para divulgar o babywearing.

Analy, ao centro na primeira Slingada


Movimento mundial

A onda virou um movimento mundial: em 2008, aconteceu a primeira Semana Mundial do Babywearing. Mães de todo o mundo se reuniram com seus bebês a tiracolo. Em São Paulo, um grupo de mulheres também se organizou em um evento no Parque da Água Branca, zona oeste da cidade, com o nome de “Me amarro num colo”.

A educadora Elly Chagas, mãe de Caetano, foi umas das organizadoras e esteve à frente do evento em São Paulo. “Procuramos destacar uma postura mais humanizada na relação entre mãe e bebê”. Ela conta que o evento teve a pretensão de ser apenas simbólico, mas se mostrou bem efetivo. Mães que não conheciam o babywearing apareceram e as mulheres presentes conversaram sobre a relação mãe-bebê e a importância do colo. “Quem participou saiu diferente”, afirma.

A teoria de que os bebês ficam mimados ou dependentes do colo é rebatida no livro O Bebê mais Feliz do Pedaço. Segundo o autor, mesmo se um bebê ficasse no colo por 12 horas ao dia, não poderia ser considerado um excesso, pois já seria uma redução de 50% do que ele desfrutava no útero, 24 horas.



O carrinho é um lugar confortável e prático para mães e bebês, mas nem sempre é a melhor opção. Uma pesquisa feita pela Universidade de Dundee, na Escócia, analisou mais de 2.700 grupos de pais e filhos: os pais que empurravam seus filhos no carrinho em posição de costas conversavam menos com a criança, que geralmente ficava estressada. Por outro lado, bebês e crianças levadas de frente para quem as conduziam ficaram mais propensas a falar, rir e interagir. Ou seja, a atenção não faz mal e o colo é a forma mais natural de dar conforto e amor ao bebê, do mesmo jeitinho que era dentro do útero.

Para o pediatra Carlos Eduardo Corrêa, filho de Victor e Sylma, não existe mimo em relação à criança com menos de um ano. “Carente fica quem não tem”, diz ele. “É incoerente pensar que o certo é afastar o bebê da mãe, como acontece desde o nascimento nos hospitais. Hoje, algumas instituições já adotam o alojamento conjunto”, explica. Segundo o médico, seguimos uma tendência européia de evitar o contato físico. Ele ainda explica que estas regras impostas pela puericultura, divisão da medicina que trata de bebês, é algo que vem em um “pacote” de regras, aprendido pelos médicos em sua formação. Colocar hora e tempo para mamar, por exemplo, sugere uma rotina que não há razão para ser seguida por todos, pois cada família tem seu ritmo.

A psicóloga e psicopedagoga Eliana de Barros Santos, mãe da Mariana, da Rebeca e Laerte, concorda que dar colo é se entregar. “A mãe que não está disponível não exerce a maternidade em sua plenitude”, afirma. Foi esta entrega à maternidade que motivou a professora de dança Tatiana Tardioli, mãe de Nina e Gil, a carregar sua filha para o trabalho, auxiliando outras mães neste período. Ela dá aulas de dança para mães e bebês em São Paulo, utilizando carregadores. Seu projeto já está espalhado por todas as regiões do país, difundindo a prática. “Eu dancei e dei aulas de dança durante toda a gravidez da minha filha. A doula que acompanhou meu parto sugeriu que eu lecionasse para mães e bebês ao mesmo tempo, aí criei a proposta do curso, somando minha experiência, conhecimentos sobre o corpo e cuidados com o bebê."

Afinal, qual é o problema em relação ao excesso de colo? “O colo deixa de ser saudável quando impede o desenvolvimento físico”, diz Eliana. Em outras palavras, só não vale sufocar a criança e impedir seus movimentos. A pediatra Elga Castanheira, mãe do Rodrigo, do Ricardo, da Renata e do Rafael, afirma que qualquer excesso não é bom. “Houve uma época em que o colo e outras atitudes de cuidado com os bebês foram consideradas cuidados extremos e desnecessários. Isto felizmente já mudou e atualmente sabe-se que o carinho é fundamental para o desenvolvimento da criança. A amamentação não é feita no colo?”, completa.

Mãe canguru

Outra prova de que colo faz bem é o método conhecido com Mãe Canguru, muito utilizado com bebês prematuros. O Método Mãe Canguru foi inicialmente desenvolvido em maternidades da Guatemala onde a falta de incubadoras fez com que pusessem os bebês dentro das roupas das mães para mantê-los aquecidos. Desde então tem demonstrado beneficiar muito recém-nascidos permitindo que eles regulem melhor seu ritmo cardíaco e sua respiração, melhorem o sono, cresçam mais depressa e com menos choro e recebam alta antes dos prematuros que não usaram o método.

Projeto Pequenos Guerreiros

Tipos de carregadores

Sling: “Slingar” um bebê é transportá-lo junto ao corpo, sustentado por meio de uma faixa. Há slings que funcionam como uma “rede”, inteiros, onde os bebês se acomodam. Outros têm argolas e podem ser ajustados.

Sling tipo Pouch da Lilith



Wrap: É um pano que tem de 4 a 6 metros de comprimento e é amarrado dependendo da forma em que o bebê é colocado. Ele pode ser carregado na frente ou de costas, com uma boa distribuição de peso.

WrapSling da SampaSling

Fast Wrap: Uma variação do wrap. Prático para passeios ou uso domiciliar. Não tem fivelas, zíperes, nenhum ajuste e vem em 5 tamanhos. Dá para carregar o bebê em várias posições: na frente, nas costas ou de lado, dependendo da idade e do desenvolvimento. Quando a criança dorme, é só puxar o tecido para apoiar a cabeça.

Aula da Dança Materna no Rio de Janeiro - Foto Amarelinha Fotografia


Canguru: é o mais tradicional. É como se fosse uma cadeirinha com fivelas reguláveis. Pode ser usado na frente ou nas costas de quem o leva. A posição do bebê também pode variar entre virado para quem o carrega ou de costas.

Canguru ErgoBaby


Mei Tai: Com origem na Ásia, seu formato pode ser quadrado ou retangular e tem alças em cada canto, que são amarradas na cintura e passam pelos ombros e costas. A professora de inglês Heather Allan da Silva, mãe de Emily, Anna Elisa, Luca, Logan e grávida do Leo, usa muito o Mei Tai. “A vantagem é poder colocar bebês maiores com apoio nos dois ombros, mas mantendo as pernas em uma posição que não sobrecarrega a coluna da mãe.”



* Fonte: Núcleo Nove Luas

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Esse texto foi originalmente publicado em 24/09/09

sábado, 5 de setembro de 2015

Babywearing desde quando?

Uma das perguntas mais freqüentes de mães de recém nascidos é desde quando podem colocar o bebê no carregador. A resposta é: desde sempre.




Nessa imagem vemos uma mãe colocando um bebê de apenas alguns dias num carregador. Ele vai se aninhando na posição vertical, que é considerada pelos profissionais que implementaram o método canguru como a posição ideal. A posição é barriga a barriga com a mãe, pernas abertas, pés fletidos em posição de sapo, amarrado gentilmente contra o corpo do adulto.

O bebê prematuro pode ser mantido o tempo todo nessa posição, pois o adulto é sua encubadora. Num bebê à termo, não existe essa necessiadade, mas não existe contra-indicação para o tempo de colo oferecido.

A ideia é que o binômio mãe e bebê esteja em sintonia o suficiente para que ambos explorem as vantagens do babywearing pelos espaços de tempo que lhes forem confortáveis.

A posição vertical é facilitadora da digestão e evita os refluxos uma vez que os ácidos do estômago permanecem por ali, coisa que quando o bebê é colocado deitado pode ser prejudicial. O costume antigo de "colocar para arrotar" está para além de fazer o ar engolido durante as mamadas sair pela boca do bebê. A posição vertical é recomendada também para a diminuição de gases e possíveis cólicas do recém nascido. 

Uma das maiores vantagens do babywearing sem restrição para recém nascidos é a proximidade ao corpo da mãe e seus impactos positivos na amamentação. O leite humano é altamente calórico, mas de baixa gordura e proteína se comparado por exemplo com o leite de um urso, que pode deixar seus filhotes em uma caverna por longas horas para caçar, graças ao seu leite gordíssimo. Nosso leite seria o equivalente ao leite dos animais como o macaco ou o canguru, animais que carregam seus filhos consigo. 

Com o bebê em contato, o corpo feminino está constantemente liberando ocitocina e fabricando leite, com a descida da prolactina. A mãe também é naturalmente encorajada a perceber os sinais mais sutis do filho, e o bebê recebe leite com mais freqüência. Maior estímulo, maior produção e simbiose dos ritmos naturais dos dois corpos recém separados ditam a tônica do carregar o bebê ao longo dos dias.

O carregador vai permitindo que o corpo do bebê atue em transição entre a mãe e o mundo. 



E até quando o bebê pode ser levado no carregador? A resposta é diametralmente oposta à premissa do texto: até quando mãe e filho quiserem. Não há limite de idade para que uma crianças seja carregada no colo por seus genitores e, ainda que o senso comum insista em frases de efeito sobre "mal acostumar com o colo", não há absolutamente nada na literatura científica que sugira algum tipo de malefício para quem passou a primeiríssima parte da vida suspenso em afeto.


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No próximo sábado, dia 12/09 acontecerá o lançamento da edição em português do livro Besame Mucho de Carlos Gonzáles. Confira a programação do Espaço Nascente e venha participar!


quinta-feira, 14 de março de 2013

Espaço Nascente comemora seu aniversário com semana especial de atividades gratuitas para toda a família

Foto/arquivo: Espaço Nascente
Na semana em que celebra seus dois anos de inauguração (http://espaco-nascente.blogspot.com.br/2012/03/nasce-o-espaco-nascente.html), o Espaço Nascente abre as portas para receber pais, mães, bebês e famílias em uma programação especial. 

De 21 a 27 de março de 2013, serão oferecidas atividades gratuitas que incluem encontros em grupo para gestantes e mães no pós-parto, encontro sobre amamentação, aulas de yoga para gestantes e bebês, vivências de música, massagem e acupuntura e serviço de máscara de gesso para a barriga (para gestantes). E ainda haverá a exibição de um documentário com debate sobre alimentação infantil e uma oficina de banho relaxante com aromaterapia para bebês. 

“Vai ser uma semana intensa e prazerosa, como foi nosso ano que passou (http://espaco-nascente.blogspot.com.br/2012/12/espaco-nascente-celebra-2012-e-da-boas.html), para comemorar o que experimentamos e vivemos juntos até aqui e também para darmos as boas vindas a mais um período em que ofereceremos acolhimento, reflexão e diversão para as famílias que recebemos aqui”, afirma o coordenador do espaço, o pediatra Carlos Eduardo Corrêa, conhecido como Cacá. 

A programação da semana especial de aniversário está disponível no blog do Espaço Mascente e pode ser consultada a seguir. As atividades são gratuitas e serão oferecidas pela equipe de colaboradores do espaço (http://espaco-nascente.blogspot.com.br/p/equipe.html). É necessário realizar inscrição prévia (com exceção para a Slingada, que é aberta). 

Ao final da semana, serão sorteados diversos brindes para aqueles que frequentarem as atividades e se inscreverem nos sorteios presencialmente, com a organização do evento. 

Semana especial de aniversário Espaço Nascente 
De 21 a 27 de Março de 2013 

Rua Grajau, 599 (Próximo ao metrô Sumaré) São Paulo - SP 

Inscrições e informações: (11) 3672-6561 / (11) 2548-6383 



Programação

Data
Horário
Atividade
21/03/13
13:30 às 16:00

Plantão da Slingada e Fraldada Especial
22/03/13


11:00
Acalanto Especial: vivencia musical na gestação e pós-parto, com Isadora Canto
14:30
Vivência de massagem em bebês, com Priscila Castanho
25/03/13
14:00

Grupo para mães no pós-parto especial: Sobre os ciclos da vida e seus (re)começos: O Pós parto como renascimento. As dores e as delícias de (re)nascer.
16:00 
Vivência de Acupuntura para bebês, com Tatiana Rodello
18:00
Máscara de barriga, com Marina Lettis
18:30
Aula de yoga para gestantes, com Vivi Cabral
19:30
Grupo de gestantes especial. Tema: Do parto ao nascimento.  Participação Dra Betina Bittar (obstetra) e Dr Carlo Eduardo Corrêa, Cacá (pediatra).
26/03/13

11:00
Oficina para pais: “A arte de contar história” com a Elenira Peixoto.
14:00

Encontro sobre amamentação especial. Tema: Volta ao trabalho, com Andrea dos Santos.
16:00

Cine Nascente. Exibição do documentário “Muito além do peso”, com moderação de Daniela Pane.
27/03/13

11:00
Vivência de baby yoga, com Vivi Cabral
14:00
Oficina de Ôfuro do bebê com aromoterapia (máximo de oito bebês), com Laysa Duch.
15:30
Musicalização: “Tocar, cantar e confeccionar um instrumento musical para o bebê”, com Edsangela Holanda.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Slingada e Fraldada: vem! É pra todo mundo!


Slingada e Fraldada no próximo Sábado,
dia 02/02/2013, das 10h às 14h30.
No Espaço Nascente!

As Slingadas e Fraldadas são encontros mensais (gratuitos e abertos)
de promoção ao uso dos slings (carregadores de bebês) e fraldas de pano. 

Se você quer carregar seu bebê com segurança e
conforto para você e pra ele, venha saber como slingar. 

Não importa qual o modelo do seu carregador, nem de que marca ele é.

É para todo mundo!

Tragam um lanchinho para compartilharmos!

Confira a programação:
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Informações:

Espaço Nascente
Rua Grajaú, 599 - Sumaré - São Paulo - SP


(11) 3672-6561 / 2548-6383