Mostrando postagens com marcador Criatividade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Criatividade. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Meu filho é doente. Ele sofre de infância.

Por Ligia Moreiras Sena

Essa é a parte 1 de uma conversa sobre como estamos transformando crianças normais, inteligentes, criativas e interessantes em pacientes psiquiátricos. Essa primeira parte falará exclusivamente da criança. A próxima falará de todos nós, com um alerta bastante grave. Estejamos atentos, amigos. Muito atentos.

"O mau comportamento do seu filho pode ser uma doença. Leve-o ao médico e peça orientações".

O compartilhamento desse tipo de mensagem é de uma irresponsabilidade sem tamanho.

Incentiva as famílias a medicarem seus filhos, ao invés de se dedicarem ativamente a lidar com suas diferenças.

Centenas de crianças estão sendo medicadas com drogas psicotrópicas para que seus comportamentos sejam moldados ao que espera a sociedade, ao que esperam seus pais, seus professores. Ignorando quem são, como são, como vivem.

Que tipo de mundo é esse que, ao invés de ensinar as crianças a lidarem com suas próprias diferenças, de ensinar a nova geração a desenvolver estratégias de auto-conhecimento e auto-aceitação, as rotulam como pacientes psiquiátricos e preferem aceitar que possuem transtornos mentais?!

Um tipo de mundo que não quer crianças agitadas, críticas, pensantes, desafiadoras, que exijam novas posturas parentais, professores bem preparados, escolas inclusivas. 

Um tipo de mundo que não quer o diferente. Quer o igualzinho. O doutrinadinho. O que não incomoda. O que não perturba. O que não pergunta. O que não desafia. O que não exige inovação, atualização e novas formas de ensinar. O que se comporta exatamente como querem que se comporte.

Um tipo de mundo onde se acredita haver remédio para tudo: para os agitados, para os rebeldes, para os desatentos, para os tímidos, para todos que não seguem a regra socialmente estipulada, a moral reinante. Chegaram a sugerir remédio até para a homossexualidade...

Uma criança indisciplinada que passa a ser rotulada como hiperativa - ou diagnosticada como portadora do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) - transforma-se, no exato momento de seu diagnóstico (ou rótulo), em uma criança com transtornos mentais. Em um paciente psiquiátrico.

Saiba disso, antes de aceitar uma coisa como essa. Sem floreios, sem rodeios.

Você acha mesmo que seu filho tem um transtorno mental? Ou ele está sendo criança? Ou ele tem uma personalidade agitada? Ou ele é diferente do que você imaginava, diferente de você, dos irmãos? Ou ele está te exigindo muito? Ou os professores não estão sabendo o que fazer com ele?

Essa semana, quando vi alguns sites incentivando a medicalização infantil, escrevi um texto que compartilhei em outras mídias, mas agora o trago também para cá.

Estamos falando sobre a medicalização da infância e o excesso de diagnósticos psiquiátricos – como a hiperatividade e o déficit de atenção – e de prescrição de psicofármacos, como o metilfenidato.

Qualquer pessoa que compartilhar a informação de que o comportamento “inadequado” de uma criança pode estar associado a um transtorno psiquiátrico está contribuindo para a psiquiatrização da infância e de comportamentos absolutamente normais, está contribuindo para que nossas crianças sejam vítimas do abuso de fármacos.

Vamos falar então de "crianças que precisam de medicamentos psicotrópicos de fato".

Será que elas existem? Em anos de estudo, pesquisa, interesse pessoal e aulas ministradas sobre tema, tive contato com muitas crianças diagnosticadas como hiperativas e medicadas. E todas - eu disse TODAS - estavam sendo medicadas em função dos desejos, ainda que não manifestos, de seus pais, educadores e outros profissionais. Para a pergunta: "Por que você o levou no psiquiatra?" ou "Por que ele está sendo medicado?" as respostas mais comuns - muitíssimo comuns - são: "Porque ele estava me deixando louca!", ou "Porque ele não se adaptava à escola de jeito nenhum", ou "Porque ele não parava quieto", e afins.

Nenhum desses motivos representa qualquer indicativo de transtorno mental.

É preciso SEMPRE lembrar que ser diagnosticado com hiperatividade É TORNAR-SE UM PACIENTE PSIQUIÁTRICO. Aquela criança, que já é vista como problemática, de uma hora pra outra passa a ter um TRANSTORNO MENTAL, passa a ser um PACIENTE PSIQUIÁTRICO.

Vamos pensar no que isso pode causar à autoestima dessa criança, desse adolescente?

Vamos pensar o que se tornar dependente de medicação tarja preta (que é uma droga psicotrópica) fará com essa criança? O estigma que vai acompanhá-lo? As alterações neuroendócrinas?

E por que? Porque ele era ativo demais, agitado demais, dava trabalho.

Quando dizermos "ativo demais" estamos comparando-o a outras crianças, ditas "normais".

O que é a normalidade? Para mim, normal é ver criança ativa, não criança dopada.

Não há um consenso do que seja a normalidade. Eu sou normal, você é normal, e somos muito diferentes. E por que somos diferentes um precisa de medicação e o outra não?

E se eu, que sou muito agitada, tenho pais que sabem lidar eficientemente com minha agitação?

E se eu estou em uma escola que respeita minhas diferenças?

Então eu escapo do medicamento psicotrópico.

Mas se eu não tenho nada disso, então serei medicado para me enquadrar numa normalidade que não existe.


Sofro muitas vezes: uma vez por não contar com condições que acolham minha diferença (pais e escola preparados), outra vez por ser rotulado psiquiatricamente, outra vez por ser medicado e ter todas as minhas funções mentais alteradas (porque é isso o que faz uma droga que age no cérebro), e outra vez porque me tornarei dependente (sim, me tornarei), e mais uma vez no futuro quando, afastado da medicação, eu não souber lidar com minha agitação, com minha diferença, apenas porque ao invés de me ajudarem a lidar com ela, me medicaram.

Falando de evidências científicas, existem artigos experimentais mostrando que o uso de metilfenidato na infância (a Ritalina, Concerta e afins - olha o nome, Concerta... como se estivesse quebrado) predispõe ao abuso de álcool na idade adulta, principalmente no sexo feminino. E outros ainda afirmam que o diagnóstico de hiperatividade na infância está associado ao diagnóstico de depressão no futuro. Não precisamos recorrer ao cérebro pra entender como a hiperatividade se transformou em depressão, basta entender o que viveu essa pessoa a ponto de ter se tornado deprimido. Mas recorrendo ao cérebro, a mudança que a droga promove pode mesmo disparar um gatilho desconhecido e, no futuro, causar um outro transtorno psiquiátrico.

Vamos falar de história? Por que a descoberta desse transtorno é tão relativamente recente? Porque hoje temos drogas que controlam esse comportamento. Então, em termos bem gerais, o metilfenidato não cura ninguém, não trata ninguém. Ele só MODELA a criança, a pessoa, ao que esperam dela. É como se, tendo febres fortes recorrentes, apenas déssemos antitérmico a vida inteira, sem saber o porquê da febre. Por que uma criança é agitada? Por que ela está com dificuldades de adaptação? Como canalizar a agitação? Como ensiná-lo a lidar com isso? São perguntas que cujas respostas necessitam de uma postura ativa. Que nem sempre existe...

Quem trabalha nessa área diz que o Calvin (aquele personagem, amigo do Haroldo) é o símbolo da criança dignosticada como hiperativa. E que criança interessante! Além de ser agitado, Calvin é questionador, problematizador, respondão e arteiro. Coisas de criança saudável, muito saudável, não doente. E já notaram como são seus pais? Entediantes, rabugentos, nunca brincam com ele, estão sempre alheios, em suas atividades, sempre criticando ou gritando com ele. Isso não é coincidência. Em uma das tirinhas, Calvin aparece sendo medicado: ele não brinca mais, não cria mais, não é mais interessante e sua imaginação foi morta – representada pelo desaparecimento do amigo imaginário, seu bicho de pelúcia Haroldo, que em condições normais tinha vida.

É isso o que acontece com crianças medicadas com modeladores do comportamento.
O dia em que eu encontrar uma criança que realmente tiver um transtorno como esse, a ponto de conseguir ver nele um paciente psiquiátrico, poderei rever essa posição.

Eu ainda não encontrei essa criança.

Embora já tenha encontrado tantas medicadas...

 



Fonte: Fonte: http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/07/meu-filho-e-doente-ele-sofre-de.html



segunda-feira, 4 de junho de 2012

Em SP, onde deixar seu bebê para um compromisso à noite? Com a Roberta!

Roberta e Pietra
A mais recente empreitada da produtora cultural Roberta Martinho começou por necessidade própria. Mãe de Pietra, de 1 ano e 2 meses, ela acaba de iniciar um trabalho como cuidadora no período noturno. “Muitas vezes, eu preciso ir num compromisso à noite, rápido, ou mesmo um cinema com meu marido ou jantar fora e não tinha com quem deixar minha filha”, explica.

O serviço é oferecido na casa dela em São Paulo, um ambiente totalmente adaptado para crianças, por um valor de R$ 20/hora.

Roberta define seu negócio como um empreendimento de mãe para mãe. “Acredito que o empreendedorismo materno seja ligado ao oferecimento de serviços que sejam importantes para outras mães, que liguem toda esta nova sensibilidade desenvolvida com a maternidade com uma forma de ganhar dinheiro com prazer, com afetividade”, diz.

Leia o depoimento completo de Roberta abaixo.

Para entrar em contato, escreva para o email robertamartinho@gmail.com

“Meu negócio partiu de uma necessidade minha, um lugar de confiança que eu pudesse deixar minha filha por poucas horas, que ela ficasse brincando, e melhor ainda, um lugar que tivesse outra(s) criança(s).

Muitas vezes, eu preciso ir num compromisso a noite, rápido, ou mesmo um cinema com meu marido ou jantar fora.

Outro dia, estava brincando com a Pietra, que chega da escola por volta das 18h, tive este insight: vou eu oferecer este serviço!

Minha casa é completamente adaptada para crianças: a sala tem todos os brinquedos acessíveis, nenhum perigo, tem um espaço gostoso e a Pietra ama receber visitas.

Para começar, vou oferecer este serviço de segunda a sexta a partir da 18h e cobrar por hora um valor acessível para as mães que necessitem.

O meu trabalho é de produtora cultural. Adoro o que faço, mas desde que minha filha nasceu, veio junto esta vontade de fazer alguma coisa ligada ao universo infantil.

Este é um primeiro passo para algo maior. Não sei bem o que. Não defino. Mesmo porque acredito que o caminho se faz andando.

Acredito que o empreendedorismo materno seja ligado ao oferecimento de serviços que sejam importantes para outras mães, que liguem toda esta nova sensibilidade desenvolvida com a maternidade com uma forma de ganhar dinheiro com prazer, com afetividade.

Depois que a Pietra nasceu, veio junto com ela a vontade de pensar em algo ligado a crianças, em algo que me conecte ao universo que minha filha está, que me possibilite olhar o mundo com o olhar dela.

Quero neste momento, neste primeiro contato com um negócio que una a minha maternidade com uma forma muito agradável de ganhar dinheiro, entender possibilidades de caminhos, ter crianças por perto para entender em mim o que posso mais desenvolver neste sentido.

Começo feliz da vida, como disse, a oferecer o que é uma necessidade minha já que muitas e muitas vezes não posso ir a um compromisso com meu marido, pois não tenho um lugar bacana para deixar a Pietra".

Gostou do trabalho da Roberta?

Entre em contato com ela!

robertamartinho@gmail.com

Fonte: http://empreendedorismomaterno.blogspot.com.br/2012/05/em-sp-onde-deixar-seu-bebe-para-um.html

quinta-feira, 12 de abril de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Era uma vez...

Por Carla Oliveira

Não há nada mais gostoso do que sonhar com o príncipe encantado... permita que seu filhos vivam as magia dos contos de fadas! Além de divertidas, as histórias ajudam as crianças a entender melhor seus próprios sentimentos.

Há Muito tempo atrás, num lugar bem longe daqui, nasciam os contos de fadas. Se fôssemos contar a origem desse tipo de história, teríamos que começar assim mesmo, de forma imprecisa - tal como se iniciam os próprios contos de fadas. Os primeiros livros são datados do século XVII, mas isso não significa que foram escritos naquela época. "Esses escritores apenas relataram as histórias que lhes tinham sido contadas por outras pessoas que, por sua vez, as tinham ouvido de seus pais e avós; histórias que pertenciam à cultura e à tradição dessas famílias", explica a educadora Vânia Dohme, autora do livro "Técnicas de Contar Histórias".

O fato é que realmente não importa onde, quando e nem por quem foram escritos os contos de fadas. Aliás, o grande mérito deles é justamente esse. Ninguém sabe como surgiram exatamente, mas todos se identificam com eles. Histórias como a da Cinderela e da Branca de Neve fazem sonhar as crianças do Brasil, da China, da Austrália, do Marrocos... E são essas mesmas histórias que também fizeram sonhar os pais dessas crianças, os avós, os bisavós...

Nem todos os contos de fadas têm, necessariamente, uma fada. Eles recebem essa denominação porque as fadas remetem à magia, encantamento e feitiços, estes sim elementos essenciais desse tipo de contos. Em Cinderela, por exemplo, a fada transforma ratos em cavalos, roupas velhas num lindo vestido bordado com fios de ouro e uma abóbora em carruagem. Não há imaginação, por mais preguiçosa que seja, que não se deslumbre com essas traquinagens.

"Outra característica dos contos de fadas é a independência com o tempo e com o espaço. As histórias podem acontecer a qualquer hora e em qualquer lugar, simplesmente quando Era uma vez...", explica Vânia. Além disso, os personagens das histórias têm qualidades extremas, sem meio termo. Ou são belas ou muito feias, ou boas ou más e assim por diante. Isso faz com que cada personagem seja muito marcante - impossível esquecer a crueldade da madrasta da Branca de Neve ou a doçura da Bela Adormecida!

Felizes para sempre

Além de estimularem a imaginação e a criatividade, os contos de fada possibilitam às crianças a compreensão de alguns fatos que elas não conseguem entender. "Um exemplo é a história de Chapeuzinho Vermelho. A criança ouve seus pais falarem do medo e tem medo também sem saber do quê. O lobo funciona como um símbolo do perigo, de alguém com quem é preciso ter cuidado. Pronto! O medo tem cara, pêlos e dentes afiados: é um lobo! E o que acontece? Ele engole chapeuzinho, o que significa que os temores se concretizaram", explica a educadora.

No final da história, o caçador abre a barriga do lobo e salva a Chapeuzinho Vermelho. "Esta história mostra à criança que o medo tem forma mas, mesmo que terríveis males aconteçam, as coisas podem acabar bem, o que lhe dará esperança e, conseqüentemente, segurança", conclui Vânia. Essa contextualização dos sentimentos é muito importante para crianças até os sete anos de idade, pois seu entendimento ainda está mais baseado na emoção do que na razão.

Os contos de fadas também ajudam a promover a estabilidade emocional dos pequenos, fornecendo respostas às suas dúvidas e medos. Um exemplo disso é que todos os contos de fadas terminam com um casal vivendo feliz para sempre. "Os casais felizes lhe mostram que no futuro também está reservado alguém que lhe vai dar total atenção, com o qual viverá feliz para sempre!", revela a educadora.

A presença freqüente das madrastas nas histórias de fadas também tem uma função muito importante, pois, segundo Vânia, ajuda as crianças a entender o sentimento ambíguo que têm pelas mães. "Como pode sua mãe meiga e carinhosa se tornar nervosa, tão brava e dando tantas broncas? É mais fácil entendê-la como uma madrasta má, que pode ser descartada facilmente, para dar lugar novamente à mãezinha que ele tanto ama", explica.

Participe das histórias!

Cinderela, Rapunzel, João e Maria, Chapeuzinho Vermelho, A Bela e a Fera, O Mágico de Oz e Pinóchio são alguns dos contos de fada mais tradicionais que não podem deixar de ser apresentados para as crianças. Mergulhar numa história repleta de monstros, princesas, seres enfeitiçados, castelos e lugares mágicos é uma experiência inesquecível. Quem nunca pegou um livro que leu quando era criança e percebeu que conhecia as frases de cor e reconheceu cada figura, como se as tivesse visto no dia anterior?

Para aumentar a intensidade dessa experiência, é muito importante também que você leias as histórias para os seus filhos. "Estes momentos trazem uma cumplicidade que aumenta os laços afetivos, a confiança e a camaradagem", diz Vânia. Atenção: ler uma história é diferente de contar. Ler a história como se estivesse lendo bula de remédio, só para que seu filho durma logo, não está com nada. Deixe a preguiça de lado e viva esse momento. Conte a história devagarzinho, com entonação, interpretando-a, abusando de expressões faciais e gestos, mudando algumas palavras, franzindo as sobrancelhas, fazendo uma pausa misteriosa. Entre na história!

Depois de lê-la, você pode também alugar o filme para assistirem juntos. A Disney transformou muitos contos de fadas em desenhos maravilhosos, que se mantêm fiéis às mensagens e à fantasia que eles carregam. E não pare por aí! Use fantoches, bonecos, teatro de sombras, tudo o que for possível para que as histórias adquiram cada vez mais elementos diferentes, novos, fazendo a imaginação voar ainda mais longe.

Quando seu filho for um pouco mais velho, por volta dos oito ou nove anos, provavelmente perderá um pouco o interesse pelos contos de fadas. Nessa idade, você não poderá deixar de comprar para ele um livro de fábulas, aquelas histórias curtinhas que sempre apresentam uma lição no final, como "A raposa e as uvas", "A cigarra e as formigas" ou a famosa "A lebre e a tartaruga". As fábulas também contêm ensinamentos preciosos. Mas aí já é outra história... que fica para uma outra vez!

Para saber mais:
Técnicas de contar histórias, de Vânia Dohme, Editora Informal.
Rapunzel, de Lais Carr Ribeiro, Editora Moderna
.

Fonte: http://www.clicfilhos.com.br/site/display_materia.jsp?titulo=Era+uma+vez...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Desecolarização + Unschooling!

Foto: Ana Thomaz

Já usei a palavra desescolarização como tradução de unschooling, mas para mim, tem ficado muito claro que são duas coisas bem diferentes, porem totalmente aliadas.

Unscholling é a denominação da pratica, que algumas famílias, mundo afora, optaram por não mandarem seus filhos a escola e nem transferirem a escola para dentro de casa (homescholling).

Desescolarização, para mim, é a pratica de "tirar" a escola de dentro de nós, o pensamento formatado que a escola nos ensinou.

Escola que vai além de seus muros, que existe em casa, na sociedade, no trabalho...

Nossos encontros de desescolarização são para que os adultos pratiquem a mudança do paradigma do pensamento intermediado pela escolarização, para o paradigma do pensamento desescolarizado, que está diretamente conectado com a fonte de criação da vida, com nossas pulsões.

Apesar de serem praticas distintas, unscholling e desescolarização, se sustentam mutuamente, por isso pratico as duas.

Pratico a desescolarização em mim, com meu marido e com meu filho de 18 anos que até os 14 frequentou a escola, fomos escolarizados e por isso estamos nos desescolarizando.

Pratico o unschooling com minhas filhas, que nunca frequentaram escolas, por isso não precisam desescolarizar.

É possível um adulto optar por se desescolarizar e manter os filhos na escola, assim como é possível ter os filhos fora da escola e seguir o paradigma da escolarização.

Porém, não há duvida que os dois caminham muito bem juntos.

Uma das inseguranças que os pais escolarizados sentem é em relação ao tempo e a responsabilidade de educar os filhos.

Quando uma família pensa em praticar o unschooling sob o paradigma da escolarização a solução virá formatada, baseada em custo-beneficio, com sacrifícios de tempo e das finanças da família em prol do desenvolvimento que acreditam para seus filhos.

Sob o paradigma da desescolarização, os pais percebem que precisam ter uma vida cotidiana mais interessante para que seus filhos os acompanhem em ambientes vivos e inspiradores, a transformação é de toda família e todos ganham com a mudança.

Porque uma criança não precisa de pais que os eduquem e sim de pais que vivam com eles.

E esses pais precisam se preparar para viverem ao lado de seus filhos

Fonte: http://anathomaz.blogspot.com/

Nosso início sem escola!

por Ana Thomaz

Como tudo começou?

Meu filho entrou em uma escola construtivista com três anos, onde eles incentivavam as crianças a criarem seus próprios projetos.

Um de seus projetos, junto com um amiguinho, foi planejar e cavar um buraco rente ao muro da escola para criar um túnel para fugir da escola!

Aos 6 anos ele entrou em uma escola waldorf em londres, onde vivemos por 3 anos.

Aos 9, de volta ao Brasil, ele seguiu em uma escola waldorf em São Paulo, e aos 13 anos começou a acordar todos os dias dizendo "eu odeio escola".

Aos 15 anos, ao finalizar o ensino fundamental, eu aceitei seu pedido incessante de sair da escola, desde que ele seguisse um projeto que iríamos criar para ele.

Para iniciar o projeto, pensamos em um processo de desintoxicação, que ele pudesse entrar em contato com um espaço interior, com um vazio, para que fosse construído algo a partir de um desejo genuíno.

A cada dia ele tinha uma atividade da qual ele apresentava afinidade e um gosto pessoal.

Nas manhãs: aula particular de musica, um grupo de artes plásticas, um grupo de filosofia, aula particular da técnica alexander e um encontro comigo de escrita e literatura;
Uma aula para cada dia da semana.
Todos os dias, as 18hs, aula em grupo de aikido.

E muito tempo livre, sem ocupações com t.v., vídeo game ou computador; tempo livre mesmo, sem fazer nada, até que surgisse um desejo, sem interesses ou intenções.

Em 5 meses surgiu um desejo genuíno de aprender mágica!

Logo, todo seu tempo livre ele usava para aprender, praticar e ler livros (pela primeira vez na vida), ler sobre mágica.

A mágica incentivou vários outros interesses, como línguas, culturas, viagens, historia...

Em seu segundo ano desescolarizado, ele já era mágico profissional, começou a participar de congressos na Inglaterra, na Guatemala, na argentina e no Brasil.

Não tinha mais tempo para fazer meu projeto, ele já tinha seu próprio projeto!

Escolheu um tutor em Buenos Aires e fez imersões por lá.

Conheceu mágicos do mundo todo.

Além de desenvolver suas habilidades, técnicas e materiais, virou um pesquisador, conhecendo a história da mágica, e todos os seus caminhos.

Participou de um concurso, para ganhar experiência, e ganhou o primeiro lugar!

Mais importante que a premiação, foi ver sua postura e sua percepção de um caminho que ele está apaixonadamente trilhando.

Eu acredito que todos os adolescentes tem um caminho apaixonante para trilhar.

E eu estou aprendendo a confiar no desejo genuíno, na capacidade de aprender, na motivação de desenvolvimento que toda criança/adolescente tem.

Aprendo também que o mundo é a "sala de aula", e que eles podem escolher (muito bem) seus tutores (meu filho, sem nenhuma inibição, escolheu um campeão mundial de mágica, que mora em outro país, como tutor).

Assim, crianças crescem para criar seu campo de trabalho, suas produções, seu modo de viver, sempre guiado por sua potencia e desejo de vida!

Fonte: http://anathomaz.blogspot.com/

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Balada para pais e filhos estréia em São Paulo

Foto: Laudiane Lira
Clarissa e Miguel, de dois meses: símbolos da maternidade sem estresse

Matinê animada embala filhos e pais roqueiros com proposta de convivência familiar

Filhos, fraldas, mamadeiras e muito rock and roll. Você já imaginou que juntar tudo isso poderia ser possível, divertido e nada estressante? O DJ, publicitário e pai Fábio Maia não só imaginou como resolveu por em prática essa ousada mistura criando a festa Baby Boom, uma balada para pais curtirem com os filhos.

“Eu sempre curti uma festa. Estou nesse meio há 22 anos. Quando meu filho nasceu, pensei que poderia continuar curtindo uma pista de dança, ao som de um bom rock and roll e na companhia da melhor pessoa do mundo para mim: meu próprio filho”, disse. “De todos os projetos que produzi até hoje, foi o que saiu com mais naturalidade”.

No Rio de Janeiro, a festa já está em sua quinta edição. Em São Paulo, a Baby Boom aconteceu pela primeira vez no último domingo, no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena, com coprodução do DJ Don KB, também pai de um garoto de 8 anos.

Mesmo com tantos pesares (meio de feriado, festival de rock acontecendo em outra cidade e tempo nublado com direito a uma chuva fininha no começo da noite), pais ávidos por uma boa novidade compareceram com animação nessa primeira matinê – a festa aconteceu das 17h às 22h. E fomos conferir.

Primeiras impressões

Além de uma comanda com o seu nome, todos que iam chegando eram brindados com pequenos agradinhos: revistas sobre maternidade, adesivos de grifes de roupas e acessórios, bandanas estampadas com guitarrinhas e caveirinhas. Para os pequenos, um primeiro sinal de que as coisas por ali poderiam mesmo ser divertidas.

O local, rústico e confortável, não remetia a uma balada adulta e tampouco a uma festinha infantil. Com plantas e paredes de tijolos aparentes, a casa logo convidava pais e filhos a explorar os vários ambientes.

Os pequeninos se encantavam pelo quiosque com brinquedos educativos de madeira, fantoches e bonecas de pano. Já os maiorezinhos seguiam curiosos por todos os lugares, descobrindo um aquário aqui, um jabuti (de verdade) ali, uma mesa pequena de sinuca e claro, a divertida e espaçosa pista de dança para correr, pular e dançar.

“Estou achando ótimo ter um lugar para dançar sem ficar neurótica. Dá para a gente ficar de olho de longe e as crianças ficam mais soltas. E outra: não ouvir só música infantil é uma benção”, disse a mãe Ana Vogel enquanto amamentava Maria Fernanda, de 9 meses, sem perder de vista Maria Clara, de 3 anos.

Aliás, se tem uma coisa que jamais acontece nas festas Baby Boom é ceder aos apelos musicais da criançada. “É uma festa de rock, não de música de criança ou de gosto musical de criança. Os maiores até pedem um Justin Bieber ou um Luan Santana de vez em quando, mas não toco e procuro mostrar outros sons bacanas”, falou o DJ Fábio Maia.

Clash, Sex Pistol e Ramones

Sem setlist programado, o DJ Don KB não poupou no volume desde o começo da festa. Clash, Pixies, Sex Pistol e Ramones convidavam pais, mães e seus pequenos a cair na pista à meia luz, sem estrobos, globos ou fumaças, apenas uma iluminação bem aconchegante, tornando possível enxergar tudo e todos sem nenhum esforço. O som, um pouco alto demais para os menorzinhos, fez com que alguns pais tivessem certa dificuldade de permanecer muito tempo na pista.

Mesmo com um bebê de colo, Ana Vogel não lamentou tanto a falta de um fraldário (havia uma salinha com sofás confortáveis), nem de um cardápio mais adequado ao paladar infantil. “Acho que está bom, ninguém veio aqui para ficar comendo ou bebendo. É um programa para sair um pouco do universo da escola dos filhos, ver outras pessoas. Uma boa mistureba a preço justo”, disse a mãe. Para curtir a matinê, adultos desembolsaram R$ 20 e crianças entraram de graça.

“Acho a iniciativa sensacional, principalmente porque aqui as crianças não são meras coadjuvantes”, disse o produtor musical Joaquim Vasconcelos, que estava com a filha Maria, de dois anos e meio e a esposa. Assim como ele, vários pais presentes na festa ficaram sabendo do evento pelas redes sociais. “Fiquei curioso e, como a Maria já curte Beatles, Red Hot e outras bandas de rock, achei que ela ia gostar do programa”, completou. Achou certo: logo que viu o pai sendo entrevistado, Maria subiu em seu colo e disse que, além dessas bandas, também gostava muito de Bob Marley.

Maternidade relax

Daniela Buono era uma das mães mais animadas na pista. Logo que chegou, correu para a pista de dança e lá permaneceu a maior parte do tempo. “Eu adoro dançar, faço isso todas as manhãs com minhas filhas. Cada dia escolho um ritmo e pulamos e dançamos para dar aquela acordada. Para nós, isso tudo está sendo uma folia deliciosa”, disse Daniela, acompanhada de Maria Clara, 7 anos, Isabel, 4 anos e de um sobrinho de 10 anos. Assim como a mãe, o pequeno trio desinibido fez valer cada música tocada, pulando, dançando e até inventando passos.

Durante a festa, era possível enxergar um retrato animador da maternidade e paternidade exercidos com mais naturalidade e segurança, e menos neuroses e estresse. O casal Clarissa Homsi e Tiago Estrada era um exemplo de pais cada vez mais abertos a novidades que acolhem a família, em vez de isolá-la num universo à parte.

“A maternidade é delicada, principalmente no início. E ficar só em casa é entediante. Eu já saio bastante com meu filho. Vou a grupos de mães que estimulam a amamentação, slingadas, sessões de cinema especiais. Acho ótimo esse imenso repertório de programas que hoje temos para fazer com os bebês. Essa troca é muito importante e nos ajuda a ter mais segurança nos cuidados e na vida familiar”, disse Clarissa, mãe de Miguel, com apenas dois meses.

Apesar da pouca idade, do som alto e da bagunça das outras crianças, em nenhum momento Miguel se irritou, fazendo com que os pais antecipassem a ida para casa. “Ele sai desde os 20 dias de vida. Não somos neuróticos com doenças e coisas do gênero. Achamos que vivenciar o novo, em vários sentidos, só nos dará mais domínio de toda e qualquer situação”, finalizou Tiago.

Carla Hosoi, especial para o iG São Paulo 17/11/2011

Matéria completa: http://delas.ig.com.br/filhos/balada-para-pais-e-filhos-estreia-em-sao-paulo/n1597372396877.html

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A importância da música na educação infantil e como meio de desenvolver a inteligência e a integração do ser

Snyders (1997, p. 104) afirma que:

A música não pinta o amor ou a aspiração de um dado individuo em dadas circunstâncias, ela pinta a própria paixão, o próprio amor, a própria aspiração. A música supera as particularidades que certamente distinguem, mas também estreitam. Transcendendo as variações acidentais, acessórias, ela nos faz viver uma generalidade, porém concreta, imediata; o que a generalidade do conceito ou da palavra não chega a realizar.

Através da música o ser humano consegue uma forma de expressar-se sentimentalmente, traz consigo a possibilidade de exteriorizar as alegrias, as tristezas e as emoções mais profundas, emergindo emoções e sentimentos que as palavras são muitas vezes incapazes de evocar. Além disso impulsiona a expressão corporal e faz com que o corpo vibre com a excitação que o abala.

O que é música?

Segundo Bréscia (2003), a música é uma linguagem universal, tendo participado da história da humanidade desde as primeiras civilizações. Conforme dados antropológicos, as primeiras músicas seriam usadas em rituais, como: nascimento, casamento, morte, recuperação de doenças e fertilidade. Com o desenvolvimento das sociedades, a música também passou a ser utilizada em louvor a líderes, como a executada nas procissões reais do antigo Egito e na Suméria.

De acordo com Wilhems apud Gainza (1988, p. 36):
Cada um dos aspectos ou elementos da música corresponde a um aspecto humano específico, ao qual mobiliza com exclusividade ou mais intensamente: o ritmo musical induz ao movimento corporal, a melodia estimula a afetividade; a ordem ou a estrutura musical (na harmonia ou na forma musical) contribui ativamente para a afirmação ou para a restauração da ordem mental no homem.

O que é musicalização?

Para Bréscia (2003) a musicalização é um processo de construção do conhecimento, que tem como objetivo despertar e desenvolver o gosto musical, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, concentração, atenção, auto-disciplina, do respeito ao próximo, da socialização e afetividade, também contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação.

As atividades de musicalização permitem que a criança conheça melhor a si mesma, desenvolvendo sua noção de esquema corporal, e também permitem a comunicação com o outro. Weigel (1988) e Barreto (2000) afirmam que atividades podem contribuir de maneira indelével como reforço no desenvolvimento cognitivo/ lingüístico, psicomotor e sócio-afetivo da criança, da seguinte forma:

Desenvolvimento cognitivo/ lingüístico: a fonte de conhecimento da criança são as situações que ela tem oportunidade de experimentar em seu dia a dia. Dessa forma, quanto maior a riqueza de estímulos que ela receber melhor será seu desenvolvimento intelectual. Nesse sentido, as experiências rítmico musicais que permitem uma participação ativa (vendo, ouvindo, tocando) favorecem o desenvolvimento dos sentidos das crianças. Ao trabalhar com os sons ela desenvolve sua acuidade auditiva; ao acompanhar gestos ou dançar ela está trabalhando a coordenação motora e a atenção; ao cantar ou imitar sons ela esta descobrindo suas capacidades e estabelecendo relações com o ambiente em que vive.

Desenvolvimento psicomotor: as atividades musicais oferecem inúmeras oportunidades para que a criança aprimore sua habilidade motora, aprenda a controlar seus músculos e mova-se com desenvoltura. O ritmo tem um papel importante na formação e equilíbrio do sistema nervoso. Isto porque toda expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga emocional, a reação motora e aliviando as tensões. Qualquer movimento adaptado a um ritmo é resultado de um conjunto completo (e complexo) de atividades coordenadas. Por isso atividades como cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas, pés, são experiências importantes para a criança, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita.

Desenvolvimento sócio-afetivo: a criança aos poucos vai formando sua identidade, percebendo-se diferente dos outros e ao mesmo tempo buscando integrar-se com os outros. Nesse processo a auto-estima e a auto-realização desempenham um papel muito importante. Através do desenvolvimento da auto-estima ela aprende a se aceitar como é, com suas capacidades e limitações. As atividades musicais coletivas favorecem o desenvolvimento da socialização, estimulando a compreensão, a participação e a cooperação. Dessa forma a criança vai desenvolvendo o conceito de grupo. Além disso, ao expressar-se musicalmente em atividades que lhe dêem prazer, ela demonstra seus sentimentos, libera suas emoções, desenvolvendo um sentimento de segurança e auto-realização.

É importante salientar a importância de se desenvolver a escuta sensível e ativa nas crianças. Mársico (1982) comenta que nos dias atuais as possibilidades de desenvolvimento auditivo se tornam cada vez mais reduzidas, as principais causas são o predomínio dos estímulos visuais sobre os auditivos e o excesso de ruídos com que estamos habituados a conviver. Por isso, é fundamental fazer uso de atividades de musicalização que explorem o universo sonoro, levando as crianças a ouvir com atenção, analisando, comparando os sons e buscando identificar as diferentes fontes sonoras. Isso irá desenvolver sua capacidade auditiva, exercitar a atenção, concentração e a capacidade de análise e seleção de sons.

Motivos pelos quais ela deve ser valorizada:

- Conhecer música é importante.
- A música transmite nossa herança cultural. É tão importante conhecer Beethoven e Louis Armstrong quanto conhecer Newton e Einstein.
- A música é uma aptidão inerente a todas as pessoas e merece ser desenvolvida.
- A música é criativa e auto-expressiva, permitindo a expressão de nossos pensamentos e sentimentos mais nobres.
- A música melhora a aprendizagem de todas as matérias.
- A música exalta o espírito humano.

A música é concebida como um universo que conjuga expressão de sentimentos, idéias, valores culturais e facilita a comunicação do indivíduo consigo mesmo e com o meio em que vive. Ao atender diferentes aspectos do desenvolvimento humano: físico, mental, social, emocional e espiritual, a música pode ser considerada um agente facilitador do processo educacional. A presença da música na educação auxilia a percepção, estimula a memória e a inteligência, relacionando-se ainda com habilidades lingüísticas e lógico-matemáticas ao desenvolver procedimentos que ajudam a se reconhecer e a se orientar melhor no mundo. Além disso, a música também vem sendo utilizada como fator de bem estar no trabalho e em diversas atividades terapêuticas, como elemento auxiliar na manutenção e recuperação da saúde.

Pelo seu caráter lúdico e de livre expressão, não apresentam pressões nem cobranças de resultados, são uma forma de aliviar e relaxar a criança, auxiliando na desinibição, contribuindo para o envolvimento social, despertando noções de respeito e consideração pelo outro, e abrindo espaço para outras aprendizagens.

Publicado: Revista Recre@rte Nº3 Junio 2005

terça-feira, 12 de julho de 2011

Maternidade, uma experiência criativa?


Podemos pensar na maternidade como a experiência mais criativa de uma mulher? Não seria , por si só, a maternidade uma expressão artística?

Em várias culturas ao redor do mundo vemos que mulheres incorporam, ao cuidar de seus filhos, gestos repetidos de geração para geração, o uso de carregadores, a forma de massagear, as cantigas de ninar, as danças típicas são expressões culturais aonde se misturam arte e cuidar. Seria isto a arte de cuidar? Pintar o corpo do bebê, dançar, usar carregadores pode ajudar a construir uma relação de prazer entre ambos. Através do convívio com mulheres mais velhas, as mais novas aprendem um repertorio completo de expressões do ato de cuidar, aonde aprendem a expressar beleza através do cuidado. E com certeza desenvolvendo uma relação de prazer ao ato de cuidar.

E na nossa cultura existe alguma forma de expressão criativa que auxilia a passar informações de quem somos e como vivemos em grupo aos filhos. Músicas que cantem nossa história, tecidos que estampem nossas cores. Pinturas e adornos que nos enfeitem. Não tenho certeza que esteja claro e que seja fácil nos identificar com estas formas de expressão.

A maternidade não é e não deve ser um evento solitário. É fundamental que as mães se encontrem e troquem experiências. E que possam criar beleza juntas. Considero fundamentais iniciativas como canto coral, Cinematerna, dança com seus bebês, além de outras para que este encontro aconteça prazerosamente.

Estamos redescobrindo nossas raízes. Estamos nos conectando com nosso mundo. Estes encontros nos fazem crescer como civilização. Sejamos então felizes e criativos?

Dr. Carlos Eduardo Corrêa (Cacá)