terça-feira, 10 de maio de 2016
Padecer no Paraíso? Sai Fora!
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Sobre os conselhos, comentários e julgamentos no pós-parto
quarta-feira, 27 de abril de 2011
SLINGADAS!
Tá chegando o mês das mães, não que todos não sejam , mais esse é especial para todas as mães grávidas ou que tiveram os seus bebês e ainda não tiveram o seu primeiro dia das mães. Só sendo mãe para saber como esse dia é importante e especial. Então aproveite muito esse momento...
E para vocês MAMÂES, muita coisa especial.
Esse mês vamos ter duas slingadas, sendo:
01/05 - a Slingada Tradicional com todas as dicas de como usar corretamente os diversos tipos de carregadores com "segurança" com vendas no local.
Onde: Espaço Nascente (Consultório do Dr. Cacá)
Rua Grajaú, 599 - bairro Sumaré.
próximo ao metrô Sumaré.
Horário: 13:30 as 17:00 horas.
Vamos fazer uma atividade especial, divulgaremos durante a próxima semana.
Levem um lanchinho para compartilharmos.
07/05 - Slingada especial no Auditório da Livraria Cultura do Shopping Villa Lobos.
Horário: início as 18:00 horas
Rosangela Alves fará uma apresentação falando sobre os diversos tipos de carregadores, comparação com outros meios de carregar os bebês, com teste drive, sorteios e muito mais.
Contamos com a participação de vocês e seus bebês nos dois eventos, pois sem vocês eles não têm graça.
Mais informações no Blog da Slingada visitem: www.slingada.blogspot.com.br
Todos os eventos são gratuitos e feitos para mamães, papais, bebês, irmãos, tias, tios, vovós, vovôs e quem mais queira aprender a usar os Slings.
Sendo assim, vamos tirar todas às duvidas no dia 01/05 (domingo), para slingar no shop. Villa Lobos dia 07/05 (sábado) com muitos bebês nos slings...
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Por que promover o uso do sling?
Existem muitos argumentos a respeito dos benefícios trazidos pelo uso do sling. Citaremos abaixo alguns deles, além de estudos científicos que comprovam esses benefícios proporcionados pelo uso de carregadores de bebês.
Menos choro
Bebês que são carregados no sling choram menos que bebês que não são carregados. Bebês carregados no sling choram uma média de 43% menos que bebês não carregados, e 54% menos durante a noite, segundo o estudo dos pesquisadores Hunziker & Barr (1986).
Mais sono
O balanço, a temperatura, o ritmo do coração e do movimento e a proximidade facilitam o sono e a extensão do sono do bebê, ao reproduzir as condições do útero.
Melhor desenvolvimento do bebê
Alguns estudos realizados revelam que os bebês se desenvolvem mais rapidamente quando carregados. A mãe ou cuidador responde de maneira mais rápida e eficaz às necessidades do bebê. Estar junto a alguém também traz segurança para o bebê, estabelece um vínculo de confiança entre o adulto e o bebê e pode ajudá-lo a tornar-se independente mais cedo, como afirma o estudo realizado pelos pesquisadores Anisfeld et alii (1990).
Por estarem próximos ao corpo do adulto, além de se sentirem mais seguros, os bebês acompanham o ritmo do adulto que o carrega, facilitando a adaptação fora do útero. Isto tem sido especialmente importante no cuidado com bebês prematuros, no cuidado dos quais se utiliza o “método canguru”, em que a mãe do prematuro permanece com seu bebê junto a seu corpo, reproduzindo o ambiente uterino, como explicita o artigo de Ludington-Hoe & Swinth (1996).
O ambiente uterino automaticamente regula o sistema do bebê e o nascimento provoca uma interrupção nesta auto-regulação. O sling ajuda a recriar estas condições fora do útero estendendo esta experiência por mais tempo. Por exemplo, com o caminhar, o som das batidas do coração e da respiração e a temperatura o bebê está sob os mesmos ritmos que o acompanharam na vida intra-uterina. Isto não só traz segurança para o bebê como o “organiza” e o acalma, facilitando até o estabelecimento de rotinas fisiológicas, como sono e amamentação, e ajuda a estabelecer rotinas comuns entre os cuidadores e os bebê.
Bebês que permanecem muito tempo afastados da mãe ou cuidador precisam muitas vezes se “auto-acalmar”, o que pode provocar comportamentos de choro, cólicas, movimentos de se “auto-embalar”, chupar dedo, respirar e dormir irregularmente, entre outros. Bebês que estabelecem estes comportamentos passam mais tempo se acalmando e têm mais dificuldade de se desenvolver e relacionar-se.
Bebês carregados permanecem mais tempo em silêncio e em estado de alerta, e observam o mundo sob uma ótica diferente do lugar de quem o carrega, e não o teto como quando estão no berço, ou os joelhos das pessoas de dentro do carrinho. Por chorarem e reclamarem menos, passam mais tempo aptos a interagirem melhor com o ambiente e com outras pessoas. O sling permite este contato com outras pessoas ao sentirem-se seguras junto ao adulto. Portanto, utilizar o sling é propiciar um excelente ambiente de estimulação para o bebê.
Um bebê carregado participa ativamente da vida ao seu redor, favorecendo a socialização e o pertencimento deste bebê à vida da família, e ao mundo que o rodeia. O ato de carregar estabelece uma parceria implícita entre a criança e seu carregador. A criança ao participar do cotidiano do cuidador, aprende a reconhecer a disposição e os limites que este vive, favorecendo a empatia e a compreensão.
Previne e auxilia na depressão pós-parto
Estar próximo ao bebê pode também previnir ou ajudar casos de depressão pós-parto, facilitando o vínculo entre a mãe e o bebê, como mostra o estudo feito pelos pesquisadores Pelaez-Nogueras et alii (1996).
Traz benefícios físicos para a mãe e para o bebê
Bebês e crianças solicitam colo. O uso do sling permite que isto aconteça com maior conforto para o cuidador. O formato do sling acomoda a coluna do bebê de maneira mais apropriada que o carrinho ou o berço, além de provocar menos dor na coluna do cuidador ao carregá-lo.
O sling é um facilitador
Em
É sabido que as calçadas não são apropriadas para o uso de carrinhos, e o sling ajuda a mãe no transporte do bebê, além de ser superprático. O sling também permite que a mãe cuide dos outros irmãos. Carregando o bebê, a mãe fica livre para dar atenção às outras crianças.
O sling é uma solução que pode ser feita por qualquer um. Basta ter um pano e você já pode ter um sling.
O sling é chique!
O sling pode ser feito de diversas maneiras e com diferentes materiais, portanto, pode se tornar algo muito criativo e versátil.
O bebê pode ser de todos
O uso do sling permite que não só a mãe seja responsável pelo bebê, mas que o pai, irmãos ou qualquer outra pessoa possa dividir esta tarefa e se responsabilizar pelo bebê também. Neste sentido, o sling promove uma maior democracia familiar!
Favorece a amamentação
Amamentar é essencial para garantir a saúde do bebê. O fato de carregar seu bebê cria condições favoráveis para a sustentação da amamentação, pois o sling permite que a mulher articule melhor suas obrigações, e portanto possa realizar a exigente tarefa de amamentar. A proximidade entre mãe e bebê favorece também a opção de amamentar, pois o bebê têm fácil acesso ao seio. Os bebês são alimentados/se alimentam com mais freqüência por passarem mais tempo com a mãe, diminuindo a possibilidade de bebês com baixo ganho de peso. Algumas mulheres inclusive amamentam no próprio sling. Para alguns bebês, amamentar em movimento os relaxa e auxilia na sucção adequada.
Tem muitas utilidades
O sling pode transformar-se em diversos outros objetos como travesseiro, cobertor, trocador e o que sua imaginação criar!
Referências:
Hunziker, U. A. and Barr, R, G. (1986). Increased carrying reduces infant crying: a randomized controlled trial. Pediatrics, 77, 641-8.
Anisfeld, E.,
Ludington-Hoe SM, Swinth JY. (1996). Developmental aspects of kangaroo care. Journal of Obstetric, Gynecologic, and Neonatal Nursing, 25, 691-703.
Pelaez-Nogueras M, Field TM, Hossain Z, Pickens J. (1996). Depressed mothers' touching increases infants' positive affect and attention in still-face interactions. Child Development, 67, 1780-92.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Dá licença?*
Fiquei muito feliz em poder contribuir como fonte para esta materia do Blog da Rosana Jatobá, sobre a polêmica da Licença Maternidade de 180 dias. Segue o texto extraído daqui
Especulações de todo tipo são inevitáveis quando a barriga vira território de domínio público.
-Quando você vai dar a luz? Perguntou um jornalista, colega de redação.
-Espero os gêmeos para o começo de janeiro, respondi .
- Mas você não vai ficar tanto tempo fora do ar, não é? Ou vai se aproveitar desta nova licença-maternidade? Me desculpe, mas acho um absurdo uma profissional ficar 6 meses sem trabalhar. Isso provoca um desequilíbrio de forças na empresa. Muitas mulheres emendam as férias, folgas, outros tipos de licença e desaparecem por quase 1 ano. E essa proposta de ampliar a licença-paternidade para 15 dias? Um nonsense total. Os pais ficam em casa assistindo “Sessão da tarde”, ou bebendo com as visitas.
Antes de contra-argumentar, preferi entender o tal “desequilíbrio de forças” suscitado pelo colega.
Com base nos interesses corporativistas, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entende que a ampliação da licença de quatro para seis meses, acarretaria novos custos às empresas, devido à substituição da funcionária. Defende também que o benefício deixaria as próprias mulheres inseguras com relação à sua inserção no mercado de trabalho. Empresários dizem que pode haver restrição quanto à contratação de mulheres que estão no início de carreira, recém- casadas, ou que ainda não tem filhos.
A legislação avança no caminho oposto.
A licença-maternidade de 180 dias já é obrigatória no funcionalismo público e facultativa em parte da iniciativa privada. Empresas de grande porte que aderiram ao projeto “Empresa Cidadã” podem oferecer o benefício às suas empregadas, e, em contrapartida, tem direito a incentivos fiscais do governo federal. Os quatro primeiros meses da licença são pagos pela empresa e compensados pelo INSS. Os outros dois meses são abatidos do Imposto de Renda.
Por enquanto, o Brasil tem 150 mil grandes empresas que podem aderir ao Programa. Mas a tendência é que o benefício se torne obrigatório para todo o setor privado. O Senado aprovou, por unanimidade, a Proposta de Emenda Constitucional neste sentido. A PEC será submetida a um segundo turno de votação no Senado, e, em seguida, encaminhada à Câmara.
Do ponto de vista da saúde pública, a amamentação regular e exclusiva (sem introdução de água, chás e quaisquer outros alimentos) durante os seis primeiros meses de vida reforça a imunidade do bebê e reduz o risco de ele contrair pneumonia, desenvolver anemia e sofrer crises de diarréia. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o país gasta cerca de R$ 300 milhões por ano para atender a crianças com doenças que poderiam ser evitadas caso fossem beneficiadas com o aleitamento regular durante este período.
Outra vantagem da licença-maternidade de seis meses seria o possível retorno de mulheres mais produtivas ao desempenho de suas funções e a diminuição das faltas e atrasos.
O que pouco se discute é a importância da licença-maternidade de seis meses como forma de se resgatar uma das experiências humanas mais primitivas e animais.
Como defende o pediatra Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa, “facilitar a aproximação incondicional das mães com seus bebês é preservar o vinculo mais importante e prematuro da humanidade. Não permitir, nem considerar natural o afastamento entre eles é lutar por uma ordem social que respeita as nossas necessidades de seres humanos.”
Este aninhamento necessário pode até esbarrar na lógica de mercado, mas se revela determinante para a formação de uma sociedade mais pacífica, igualitária e coesa.
Tão bom quanto matar a curiosidade de ver o que gestei, será enxergar, em breve, uma Nação mais consciente dos cuidados com as próximas gerações.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Grupos pós parto a partir de dezembro
Venham participar de um grupo de encontro de mulheres que, como vocês, acabaram de experienciar a chegada do seu bebê. A troca, neste momento intenso e cheio de novidades, além de rica é reconfortante; ajuda a apaziguar a solidão, as dúvidas, os medos e anseios tão comuns neste momento da vida. Mulheres, em rede, se fortalecem, com delicadeza e amor.
Os encontros são gratuitos e tem 2 horas de duração. Seu objetivo é formar uma rede de mulheres na mesma situação, que desejam trocar e aprofundar questões relativas ao pós parto com a coordenação da psicoterapeuta Cristina Toledano, formada pela PUC-SP e especialista no atendimento de mulheres no pós parto.
Todas as quartas-feiras das 13:00 as 15:00
Rua Grajaú, 599 Sumaré (próx. ao metrô Sumaré)
Cristina Toledano - Sou psicóloga clínica formada pela PUC-SP e tenho muito
interesse no estudo e no trabalho com o puerpério. Atualmente coordeno grupos
formados por mulheres no pós parto e realizo atendimento clínico e domiciliar
com mulheres que estão precisando de apoio e que desejam aprofundar as questões
presentes neste momento da vida. cristoledano@hotmail.com / 9966-2314 (cel.) 3865-7557 (consult.)
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Mamasso e slingada no próximo sábado 02/10

A Matrice, está promovendo para o próximo sábado, dia 02 de outubro, duas atividades super agradáveis para fazer com os pequenos.
Um Mamasso
às 11hs - no Parque da Agua Branca
E uma slingada
das 13:30 às 16hs - no meu consultório com "Atelié Sensorial"
A Slingada foi criada para divulgar o uso de carregadores de bebês e dar apoio aos slingueiros. Nesse evento você pode experimentar os diversos tipos de carregadores, aprender várias posições de uso, aprender a usar uma canga como carregador e tirar todas as dúvidas sobre uso dos slings, sendo: Sling de argola, sem argola, fast wrap, wraps, Mei Tai e Kepina.
- Slings de argolas e sua flexibilidade e versatilidade;
- Fast wraps - aconchego e memória intra-uterina para mãe e bb.
- Mei tai - peso distribuídos entre os ombros para bbs até 3 anos ou mais.
- Kepina - alternativa barata e simples.
- Poutch - prático mais com suas peculiaridades.
A Slingada também funciona como um encontro de mãe e pais com pensamentos semelhantes e que acreditam que colo e bebê foram feitos um para o outro, um útero com janela.
Lembro que: A Slingada acontece todo primeiro sábado do mês, sendo divulgada uma semana antes o local e o horário do evento, salvo imprevistos.
Endereço da Slingada:
Rua Grajaú, 599 – Sumaré – SP
Próximo ao metro Sumaré
Consultório do Pediatra Cacá
Essa slingada terá uma atividade especial, o Dr. Cacá durante o período da slingada vai aplicar um Ateliê Sensorial com os papais e mamães e quem mais estiver presente.
Leve um lanchinho para compartilharmos.
Será um dia muito especial como sempre.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
O filho é o reflexo da sombra da mãe*
Durante os primeiros dois anos de vida, os bebês refletem as emoções e os sentimentos inconscientes de suas mães.
Um tempo de revelações, de experiências místicas, uma oportunidade para o auto conhecimento, para mergulhar nos aspectos ocultos da psique feminina. Um tempo em que as luzes e sombras emergem e explodem como um vulcão em erupção. É a loucura indefectível e um “não reconhecer-se” a si mesma, porque, desde o momento do parto, a alma da mulher se desdobra e se torna mamãe-bebê, bebê-mamãe ao mesmo tempo.
Isso é também a maternidade, segundo a inovadora e certamente polêmica visão da psicoterapeuta familiar argentina, especializada em crianças, Laura Gutman, autora do livro “A maternidade e o encontro com a própria sombra”.
Seu livro, longe de pretender ser um guia para mães desesperadas, é um convite para que as mulheres repensem as idéias preconcebidas, os preconceitos e os autoritarismos, encarnados em opiniões discutíveis sobre o parto, os cuidados com os bebês, a educação, as formas de vincular-se e a comunicação entre adultos e crianças.
Entrevista VERÓNICA PODESTÁ
Social e culturalmente, a idéia que se apresenta às mães sobre a chegada de um novo ser é de um fato ideal, feliz e luminoso. È necessária certa audácia para encarar o tema a partir de um “encontro com a própria sombra”. A que você se refere exatamente?
É claro que a sociedade ou o inconsciente coletivo tentem colocar a maternidade num leito de rosas. Quanto mais uma mamãe “compre” esta visão unilateral, mais impactante e mais brutal resultará para ela o encontro com os lugares obscuros que aparecem depois do parto e no puerpério. Eu encaro a maternidade como uma crise, como um rompimento que se produz no parto e nessa quebra se colam partes da sombra, ou seja, pedacinhos de alma ocultos ou desconhecidos até então, que se manifestam através do bebê. Ele se converte em espelho cristalino dos aspectos mais ocultos da mãe, de sua sombra. Por isso, o contato profundo com um bebê é uma grande oportunidade que se deve aproveitar ao máximo.
De que maneira a sombra da mãe se manifesta através do bebê?
Quando um bebê nasce se produz a separação física, mas este corpo recém nascido não é só matéria, mas também um corpo sutil, emocional, espiritual. Ainda que a separação física efetivamente se produza, bebê e mãe seguem fusionados no mundo emocional. O bebê se constitui no sistema de representação da alma da mãe. Tiudo o que a mãe sente, recorda, o que a preocupa, o que rechaça, o bebê o vive como sendo próprio. Porque nestes sentido e momento são dois seres em um. Então a mãe atravessa esse período desdobrada no campo emocional, já que sua alma se manifesta tanto em seu próprio corpo como no corpo do bebê. E o mais incrível é que o bebê sente como próprio tudo o que sente a sua mãe, sobretudo o que ela não pode reconhecer, o que não reside em sua consciência, o que foi relegado à sombra. Então, se um bebê adoece ou chora desmedidamente, ou se está alterado, além de fazermos perguntas no plano físico será necessário atender o corpo espiritual da mãe, reconhecendo que a enfermidade da criança manifesta uma parte da sombra da mãe.
E como a mãe pode canalizar esta manifestação do bebê para seu próprio crescimento?
Se um bebê chora demasiadamente, se não é possível acalmá-lo nem amamentando-o nem aninhando-o, enfim, depois de cobrir as necessidades básicas, a pergunta seria: Porque chora tanto a sua mamãe? Se o bebê não se conecta, parece deprimido, quais são os pensamentos que inundam a mente de sua mãe? Se um bebê rechaça o seio, quais são os motivos que pelos quais a mãe rechaça o bebê? As respostas residem no interior de cada mãe, ainda que não sejam evidentes. Para ali devemos dirigir nossa busca, na medida que a mulher tenha uma genuína intenção de encontrar-se consigo mesma.
Este estado de fusão emocional dura dois anos, tempo em que a mãe experimenta estados alterados de consciência por viver desdobrada em vários campos emocionais. Esta é a loucura do puerpério.
Por que dois anos? Comumente se fala do puerpério como um período que dura cerca de 40 dias.
Se considera puerpério aos primeiros quarenta dias depois do parto, porque se toma como parâmetro a cicatrização da episiotomia, a interdição sexual ou moral, para que o homem não queira exigir genitalidade à mulher. Eu creio que é um fenômeno emocional. Enquanto dura a fusão emocional, dura o puerpério. Por volta dos dois anos a criança começa a separar-se emocionalmente de sua mãe. Até então era bebê-mamãe, um ser totalmente fusionado, que fala de si na terceira pessoa: “Matias quer água”. Aos dois anos começa a dizer “Eu quero água”. Quando se constrói como um ser separado, começa lentamente a separar-se emocionalmente.
Como nasce sua teoria?
Sinceramente, não sei quando nem como nasceu minha “teoria”, já que não a vivo como “teoria”, mas sim como uma prática constante. Basicamente através da observação de centenas de mães se relacionando com seus bebês. Foi muito revelador para mim, quando há cerca de 20 anos li o livro “A Enfermidade como Caminho”, de Dethlefssen e Dahlke, um médico e um astrólogo alemães, ambos junguianos. Comecei a investigar as teoria de Jung em relação à manifestação da sombra, e ao sentir que as crianças pequenas estavam tão involucradas dentro do campo emocional das mães, e vive versa, me ocorreu observar se o que manifestavam – e que eram muitas vezes incompreensíveis para as mães – poderia ser a expressão de situações emocionais que elas não poderiam reconhecer como próprias. É muito frequente que as mães não falem de si mesmas nas consultas, mas sim do que está acontecendo com seus filhos. E foi cada vez mais evidente para mim, que este “jogo” era permanente. Por exemplo, quando eu coordenava grupos de crianças e algum bebê estava muito inquieto, eu tentava induzir à mãe a um olhar interno, íntimo, até que “tocava” num ponto doloroso pessoal, de sua história primária. Mesmo que considerasse que o assunto estava “superado”, quando conseguia falar sobre o tema, o bebê automaticamente parava de chorar. E o grupo era testemunho desta “magia”. Mas não era nada mágico, era a mãe que se apropriava de uma parte de sua sombra, que o bebê estava, de outro modo, obrigado a manifestá-la. Aos poucos fui aprendendo a reconhecer mais rapidamente a linguagem dos bebês e crianças pequenas “fusionadas” ao campo emocional da mãe. Na realidade, o verdadeiro trabalho de busca quem o realiza é a mãe, o meu papel é só o de apoiar a busca genuína, porque cada indivíduo sabe profundamente o que lhe passa. Os bebês são seres sutis, por isso manifestam com total espontaneidade. Neste sentido são verdadeiros espelhos da alma.
Em seu livro você faz uma distinção entre a dor como algo necessário e positivo para o crescimento, e o sofrimento, desnecessário de destrutivo. Que diferença há entre um e outro?
Quando falo da diferença entre dor e sofrimento, me refiro ao parto em si mesmo. Hoje em dia quase todas as mulheres parem anestesiadas, em partos “induzidos” pela introdução de ocitonina sintética, para regular a duração e a intensidade das contrações. Em geral a mulher não é respeitada, não lhes permitem mover-se, caminhar, comer, ir ao banheiro; ela está atada à cadeira de parto que é terrivelmente incomoda, lhe acomete câimbras nas pernas, lhes rasgam, entram muitas pessoas, médicos e paramédicos, enquanto a mulher está com os genitais expostos, há pouca afetividade e nenhuma intimidade. O marido está atuando, fazendo de conta que é um bom pai moderno. É tanto sofrimento, que as mulheres, ao invés de pedirem contenção, abraços, calor, amor, silêncio, música, água, algo doce para a boca, suavidade... pedem aos gritos por anestesia. E recebem
Se pudéssemos imaginar um parto acompanhado verdadeiramente, com liberdade de movimento, na data verdadeira (ainda que “se atrase”), em intimidade, com uma ou duas pessoas do círculo mais íntimo, a dor seria então o veículo para o recolhimento, para a introspecção, para sair do mundo das formas e entrar no mundo sem limites, sem palavras, sem luzes... é um momento de abertura de consciência. Assim a dor é suportável, é necessária, porque nos permite “sair” do mundo racional, e só fora do mundo racional se pode parir em liberdade. As mulheres que parimos verdadeiramente em liberdade, é que podemos contar o que é o paraíso.
Não há modelos nem receitas sobre como ser mãe no Século XXI. Qual você crê que seja o maior desafio para as mulheres de hoje?
É certo que na há modelos. O que podemos chamar tradicional, ou seja o que viveram nossas avós, se refere à dona de casa que criou filhos e criou o marido. Muitas delas foram escravas dos desejos dos demais. Hoje em dia, alguma mulheres estamos num pólo aparentemente longínquo, trabalhamos todo o dia, ganhamos dinheiro, as vezes somos bem sucedidas, criativas, independentes. Quando aparece o primeiro filho, na minha opinião, se temos construída toda a nossa identidade no que chamo energia Yang – aspectos concretos do trabalho, dinheiro, relações sociais, etc - isto que nos traz o bebê não tem nada a ver com o “normal”... e tendemos a fugir para os espaços conhecidos: desesperadas para voltar a trabalhar, a ser que éramos antes. Para mim isto também é falta de liberdade interior.
É necessário revisar os acordos do casal anteriores ao nascimento do filho, quando somos capazes de apoiarmos-nos um ao outro e vive versa. Maternar é fundamentalmente conectar-se profundamente com a energia Yin, que é lenta, silenciosa, de tempos prolongados, redonda, quentinha, suave, interna, obscura, pegajosa... Navegar entre as duas energias é para mim um dos principais desafios para as mulheres modernas. Nem fugir do desconhecido, nem alheiarmo-nos do mundo, infantilmente como nossas avós. E saber que há outras pessoas ao redor para ocupar certos espaços por um tempo: o homem será a sustentação para que a mulher possas maternar. E se não há um homem maduro, haverá outras redes, família, amigos, grupos de apoio. Não se pode maternar sem sustentação. Não se pode maternar sem fusão emocional. Não se pode maternar sem buscar o próprio destino.
Publicado em UNO MISMO.
DESTAQUES
“Ainda que a separação física efetivamente se produza no parto, bebê e mãe seguem fusionados no mundo emocional. O bebê se constitui no sistema de representação da alma da mãe”.
“Se um bebê chora demasiadamente, se não é possível acalmá-lo nem amamentando-o nem aninhando-o, a pergunta seria: Porque chora tanto a sua mamãe? Se o bebê não se conecta, parece deprimido, quais são os pensamentos que inundam a mente de sua mãe? Se um bebê rechaça o seio, quais são os motivos que pelos quais a mãe rechaça o bebê?”
“Mesmo que considerasse que o assunto traumático estava “superado”, quando a mãe conseguia falar sobre o tema, o bebê automaticamente parava de chorar. Não era nada mágico, era a mãe que se apropriava de uma parte de sua sombra, que o bebê estava, de outro modo, obrigado a manifestá-la”.
“As mulheres que parimos verdadeiramente em liberdade, é que podemos contar o que é o paraíso”.
“Maternar é fundamentalmente conectar-se profundamente com a energia Yin, que é lenta, silenciosa, de tempos prolongados, redonda, quentinha, suave, interna, obscura, pegajosa... Navegar entre as duas energias, Yin e Yang, é para mim um dos principais desafios para as mulheres modernas”.
“Não se pode maternar sem sustentação. Não se pode maternar sem fusão emocional. Não se pode maternar sem buscar o próprio destino”.
BOX 1
PARIR EM LIBERDADE
“Meu segundo parto foi em Paris, com o doutor Michel Odent. Tinha data para o dia 3 de março, mas no dia 26 começaram as contrações. Como o trabalho de parto, que durou 24 horas, se prolongava, a parteira do hospital me tomou pelo braço e me levou correndo à sala “de partos selvagens”, como a chamavam eles: colchão no chão, almofadas, paredes de madeira, posters e um ...aparelho de som!
Uma mulher de cabelo grande e negro estava parada, sustentada por outra parteira, puxando. Ao ver nascer ao seu bebê, senti o cheiro do sangue fresco e me invadiu tal emoção que acelerou minhas contrações. Minutos depois terminei minha dilatação. Estava meio parada, mas a força do PUJO me fazia ficar acocorada, quase no chão. Vi aparecer meu bebê e o tomei com meus braços enquanto saía suavemente do canal de parto. O bebê nunca chorou. Só sorria. O coloquei no peito, eu chorando. Fio a força do parto de uma mulher desconhecida que me ajudou a “soltar as amarras de meu controle” e possibilitou a entrega.
Depois voltei caminhando para o quarto com meu bebê nos braços.”
BOX 2
PARA SABER MAIS
Laura Gutman é argentina, terapeuta familiar e escritora.
Tem onze livros publicado, em vários idiomas, além de incontáveis artigos sobre maternidade, paternidade, vínculos primários, desamparo emocional, adicções, violência e metodologias para acompanhar processos de busca pessoal. É colaboradora habitual de numerosas revistas na Argentina e Espanha.
Para difundir e aplicar suas idéias, Laura fundou e dirige “ Crianza”, uma instituição com base em Buenos Aires, na qual funciona uma Escola de Formação Profissional para profissionais da saúde e educação, grupos de mães, um serviço de “doulas” (assistentes a domicílio) para mulheres puérperes, seminários breves para profissionais, terapias individuais e de casal e publicações sobre maternidade.
Viste seu site: www.crianza.com.ar

